- EUA vão à Suíça negociar um acordo de paz com o Irã, com a participação de J. D. Vance e mediação de diplomatas do Paquistão e do Catar, para salvar o acordo provisório em vigor.
- A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz para todas as embarcações, em resposta a violações norte-americanas e aos ataques de Israel ao Líbano, segundo a própria instituição.
- O governo dos Estados Unidos negou o bloqueio do estreito e afirmou que o tráfego seguia normal, com aumento de navios, incluindo 55 embarcações levando mais de 17 milhões de barris de petróleo.
- O porta-voz iraniano disse que as negociações só avançarão se o memorando de entendimento respeitar a trégua, suspender operações no Líbano e reconhecer a soberania iraniana.
- No Líbano, bombardeios de Israel deixaram ao menos 16 mortos; no total, os confrontos já superam quatro mil mortos, em meio a divergências sobre o cessar-fogo envolvendo Israel e o Hezbollah.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, vai representar o governo de Donald Trump nas negociações de um acordo de paz com o Irã, marcadas para este domingo (21.jun.2026) na Suíça. O encontro, mediado por diplomatas do Paquistão e do Catar, ocorre em meio a uma nova escalada militar no Oriente Médio e a disputas sobre controle de rotas comerciais.
A reunião busca salvar o acordo provisório entre EUA e Irã, originalmente marcada para sexta-feira (19.jun). O objetivo é manter o diálogo ativo, após o adiamento da primeira data, e tentar avanços sobre o programa nuclear iraniano.
A Guarda Revolucionária iraniana (IRGC) anunciou, neste sábado (20.jun), o fechamento do Estreito de Ormuz para todas as embarcações. A medida seria uma resposta às violações norte-americanas aos cessar-fogos acordados e aos ataques contra o Líbano. O governo dos EUA nega a interrupção da passagem e afirma que o tráfego ocorreu com normalidade.
Em entrevista à Fox News, J. D. Vance afirmou que não houve bloqueio no estreito e que não há evidências de interrupção marítima pelo Irã. As Forças Armadas americanas reforçaram a posição, informando que o tráfego no estreito operou normalmente e que 55 navios levaram mais de 17 milhões de barris de petróleo pelo trecho neste sábado.
Negociações e exigências
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Bagahei, disse que a pauta da viagem inclui a exigência de que os EUA cumpram obrigações, como suspender operações militares no Líbano e respeitar a soberania iraniana. Segundo o diplomata, avanços sobre o memorando dependem do respeito à trégua na região.
Ele alertou que, caso a trégua não seja observada, o acordo corre risco de não avançar. A posição iraniana envolve também o tema nuclear, que deverá ser considerado nas conversas para que haja progresso significativo.
Escalada no Líbano e impasse sobre cessar-fogo
A tensão na região complica o processo de negociação. Bombardeios israelenses no sul do Líbano causaram pelo menos 16 mortes neste sábado, incluindo duas crianças, segundo a Agência Nacional de Notícias libanesa. O texto aponta ainda que sete pessoas ficaram presas sob escombros em Nabatiyeh, com ataques em várias vilas próximas.
O Exército de Israel alegou resposta aos disparos de mais de 50 projéteis contra suas tropas na madrugada. O grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, não assumiu a autoria dos ataques. Na sexta-feira, o confronto já deixara 47 mortos no Líbano e quatro militares israelenses, elevando o total de vítimas na guerra recente a mais de 4 mil, segundo o Ministério da Saúde libanês.
O embaixador de Israel em Washington afirmou apoio a uma trégua imediata, condicionada ao fim das hostilidades pelo Hezbollah. Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, informou que atingiu cerca de 150 alvos do Hezbollah e que as operações seguem na chamada zona de defesa avançada no sul do Líbano.
O Hezbollah declarou que respeitará o cessar-fogo se Israel também cumprir a suspensão das ações, embora tenha reiterado que a retirada total das forças israelenses do território libanês é condição para o fim definitivo dos ataques, posição apoiada pelo governo iraniano.
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