- Bolsonaro depõe nesta terça-feira, às quinze horas, à Polícia Civil do Distrito Federal sobre a pistola Glock registrada em seu nome, apreendida com um de seus seguranças em blitz a trinta e três quilômetros de sua residência.
- A oitiva pode influenciar a continuidade da prisão domiciliar, cujo prazo vence na quinta-feira; caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir se ele permanece sob custódia domiciliar ou retorna à Papudinha.
- A defesa afirmou que houve conserto da arma após detecção de falha, e não há relação com o fim da domiciliar; segundo eles, o percussor foi retirado para tornar o equipamento inoperante por segurança.
- Moraes solicitou explicações sobre por que Bolsonaro mantinha a arma em casa e por que houve o pedido de conserto; não houve decisão do STF sobre entrega, cancelamento do registro ou restrição equivalente.
- A pistola foi apreendida na blitz da semana anterior com o militar Estácio Leite da Silva Filho; ele afirmou ter informado que a arma era de Bolsonaro e iria consertá-la, conforme a versão apresentada pela defesa.
O ex-presidente Jair Bolsonaro presta depoimento nesta terça-feira 23, às 15h, à Polícia Civil do Distrito Federal sobre uma pistola Glock de calibre 9 milímetros apreendida durante uma blitz, a 33 quilômetros do seu condomínio. A arma estava no nome dele e foi retirada de um segurança. O objetivo é esclarecer a posse e a situação do armamento.
A defesa sustenta que houve uma falha na pistola e que o conserto foi solicitado para evitar novos problemas de funcionamento. A versão não vincula o conserto ao fim do regime de prisão domiciliar, que vence nesta quinta-feira (25). Bolsonaro está orientado a reforçar esses argumentos durante o depoimento.
Segundo os advogados, a equipe de segurança — sem o conhecimento do ex-presidente — retirou o percussor da arma para torná-la inoperante. Bolsonaro, por sua vez, teria notado o problema e ordenado o reparo. A defesa afirma que o certificado de registro do armamento data de 2019.
Ponto central do depoimento
O ex-presidente participou de reunião de preparação com os advogados na segunda (22) e deve ter mais uma hora de reunião nesta terça, com aval de Moraes. A oitiva ocorrerá presencialmente, conforme determinação do ministro do STF, por não haver autorização para videoconferência na domiciliar.
A defesa também ressalta que não houve determinação do STF sobre a entrega, cancelamento do registro ou qualquer restrição semelhante à arma, reforçando a condição de proprietário regular. A pistola foi apreendida na segunda-feira 15 com o militar Estácio Leite da Silva Filho, segurança de Bolsonaro, durante a blitz.
Contexto jurídico e institucional
O caso é analisado por Moraes, que pode renovar a prisão domiciliar por mais 90 dias, desde que haja cumprimento sem intercorrências. A avaliação de Moraes também leva em conta o comportamento do policial envolvido na abordagem, que gerou dúvidas sobre a condução do episódio.
O militar responsável afirmou ter informado rapidamente que a arma pertencia a Bolsonaro, enquanto a versão do agente Estácio § indica que a arma foi entregue para reparos e seria devolvida no dia seguinte. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o episódio e pediu o depoimento presencial de Bolsonaro.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 27 de março, após quase duas semanas de internação em hospital de Brasília. Ele é condenado pelo STF por participação em uma trama golpista, com pena total de 27 anos e três meses.
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