- O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, apresentou ao Supremo Tribunal Federal recurso para tentar anular a decisão que autorizou busca e apreensão em suas residências.
- A defesa diz que houve erros graves e que Wagner não atuou no Congresso para favorecer o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
- Sobre os valores em espécie apreendidos, a defesa afirmou que parte é diárias pagas pelo Senado e outra foi adquirida por meio de operações oficiais com instituição financeira, todas de origem lícita.
- A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira passada, a nona fase da Operação Compliance Zero, com Wagner como principal alvo, investigando fraudes envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia.
- Os investigadores também apuram se Wagner usou a atuação parlamentar para defender pautas do Banco Master no Congresso, incluindo contatos com o ex-sócio Augusto Ferreira Lima.
O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), protocolou no STF um recurso para tentar anular a decisão que autorizou busca e apreensão em suas residências. O pedido foi apresentado nesta segunda-feira, 22, após a deflagração da nona fase da Operação Compliance Zero.
A defesa afirma que houve erros graves no processo e sustenta que Wagner não atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master, ligado a Daniel Vorcaro. O comunicado do gabinete nega envolvimento em influências indevidas e ressalta que Wagner foi contrário à Emenda Master, proposta por outro parlamentar.
Sobre os recursos de dinheiro apreendidos, a defesa afirma que os valores em espécie têm origem lícita e comprovada. Parte veio de diárias públicas declaradas para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais com instituição financeira, com registro regular.
Segundo o Estadão, as diárias recebidas por Wagner não correspondem ao montante apreendido pela PF nesta semana. A diferença entre os valores é apresentada pela defesa como evidência de irregularidade na comparação entre as fontes de renda.
A Polícia Federal aponta que a investigação envolve fraude relacionada ao Banco Master e ao PT da Bahia, além de vínculos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A apuração também investiga a suposta participação do parlamentar no esquema.
Ainda conforme os investigadores, a PF suspeita que Wagner tenha recebido um imóvel de 2,5 milhões de reais e pagamentos de propina que totalizariam 3,5 milhões, via empresa ligada a um familiar. A estrutura investigada seria usada para ocultar vantagens indevidas apuradas na Compliance Zero.
Do lado da PF, há ainda a suspeita de uso da atuação parlamentar para defender pautas do Banco Master no Congresso. A investigação questiona contatos diretos entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição, em propostas que poderiam beneficiar o banco controlado por Vorcaro.
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