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Presidente do STM comenta tolerância ao intolerável após 8 de janeiro

Presidente do STM afirma que atos de 8 de janeiro resultaram de tolerar o intolerável; cinco processos de perda de patente de militares vão a voto

Maria Elizabeth (foto) explicou que o STM não julga os crimes penais do 8 de Janeiro, mas a permanência dos oficiais nas Forças Armadas
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  • A presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, disse que os ataques de 8 de janeiro de 2023 foram resultado de tolerâncias a condutas ilícitas.
  • Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada em 21 de junho de 2026, ela afirmou que houve participação de pessoas que “orquestraram tudo” e sabiam o que faziam.
  • O STM analisa cinco processos de perda de patente de militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal envolvendo os atos, com defesas apresentadas e casos em avaliação antes de votação.
  • Segundo a ministra, o STM julga decoro e a capacidade de o militar continuar portando a farda, não julgando crimes penais do 8 de janeiro.
  • Ela também criticou a Lei da Anistia, defendendo que certos crimes não são suscetíveis de anistia, e afirmou que memória histórica contribui para evitar novas rupturas institucionais.

A presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, afirmou que os ataques de 8 de janeiro de 2023 decorreram de uma sequência de tolerâncias a condutas ilícitas. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada no fim de semana.

Chegou-se ao 8 de janeiro por causa de tolerâncias anteriores, disse a ministra. Segundo ela, houve participação de indivíduos que teriam orquestrado os acontecimentos e sabiam o que faziam.

Há no bojo daquela manifestação um desencantamento com o Estado e o contrato social, conforme a ministra. Além disso, afirmou que houve quem orquestrasse tudo.

Processo e julgamento no STM

O STM analisa cinco processos de perda de patente de militares condenados pelo STF por envolvimento nos atos. Os réus incluem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os generais Augusto Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier.

As defesas já foram apresentadas, e os casos passam por relatoria e revisão antes do voto. O foco é a permanência dos oficiais nas Forças Armadas.

Maria Elizabeth explicou que o STM não julga crimes penais. O objetivo é apurar decoro e a possibilidade de o militar continuar portando a farda, em tribunais de honra.

A ministra criticou a aplicação da Lei de Anistia no Brasil e afirmou que a falta de memória histórica facilita novas rupturas institucionais. Segundo ela, certos crimes não devem ser anistiados.

Sobre a ministra

Maria Elizabeth Rocha é formada em Direito pela PUC Minas e é doutora em Direito Constitucional pela UFMG. Foi procuradora federal e tomou posse no STM em 2007, como a primeira mulher a integrar o colegiado, indicada pelo presidente Lula.

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