- Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, participou do Roda Viva na última segunda-feira (22) e fez declarações sobre a atuação da Corte e sua conduta.
- Diz que toda renda de ministros fica declarada no Imposto de Renda e que há transparência, embora o IR seja documento com sigilo fiscal; afirmou ser favorável à transparência, mas considerou esse mecanismo suficiente.
- Relembrou episódio envolvendo a Folha de S. Paulo e a Odebrecht para falar de patrocínios e ética, sem responder diretamente sobre divulgação de bens, participação em empresas ou patrocínios.
- Atribuiu a impopularidade do STF à cobertura da imprensa, dizendo que o tribunal é atacado pela imprensa e que pesquisas de opinião surgem após ampla cobertura de críticas.
- Comentou sobre a Lava Jato e casos como Banco Master, criticou André Mendonça, e disse não acompanhar o caso 8 de janeiro porque não integra a turma responsável, mesmo votando em ações penais relacionadas.
Durante o programa Roda Viva, exibido na última segunda (22), o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, fez declarações que oscilaram entre ironia, evasivas e confronto com perguntas sobre a atuação da Corte e a sua própria conduta. A entrevista foi alvo de registros pela Gazeta do Povo, que compilou os momentos mais marcantes.
Questionado sobre transparência na renda e no patrimônio dos ministros, Mendes afirmou ser favorável à transparência, mas sustentou que informações estão contidas na declaração do Imposto de Renda e permanecem sob sigilo fiscal. O ministro ressaltou que a IR é um documento obrigatório por lei.
Diante da insistência sobre a divulgação de bens, participação em empresas e patrocínios, o ministro descredibilizou o foco único na transparência. Ele citou um episódio envolvendo a Folha de S. Paulo e o patrocínio da Odebrecht, associando o tema à relação entre imprensa e patrocinadores.
Transparência e imprensa
O episódio citando a Odebrecht ocorreu em meio a críticas sobre o papel da imprensa e a cobertura de temas ligados à Corte. Mendes insistiu que o Tribunal estaria sob ataque da imprensa, sem confirmar ou ampliar detalhes sobre eventuais irregularidades pessoais.
O decano afirmou que o STF seria impopular em função da linha de cobertura jornalística sobre suas decisões. Afirmou que a cidade não mede apoio público a partir de pesquisas, mas não detalhou impactos de decisões específicas.
Controvérsias recentes
Ao mencionar a Lava Jato, Mendes disse ter participado do julgamento relacionado ao caso Master e citou o episódio da Compliance Zero. Ainda assim, comentou não acompanhar de perto alguns desdobramentos do 8 de janeiro, alegando não integrar a turma responsável.
O ministro reconheceu que discussões sobre suspeição e impedimento podem surgir em casos com possíveis conflitos de interesse. O tema, segundo ele, é objeto de debates frequentes no STF, sem apontar casos específicos com detalhamento objetivo.
Contextos e desdobramentos
Questionado sobre a atuação de outros ministros em casos de grande repercussão, Mendes mencionou de forma generalista críticas a decisões envolvendo atos de 8 de janeiro e figuras como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ele não detalhou fundamentos de decisões nem abriu abertura para novas explicações sobre condutas individuais.
O diálogo, marcado por tom combativo em alguns momentos, manteve o foco na relação entre imprensa, transparência e atuação institucional do STF. A entrevista reforçou a agenda de debates sobre governança, fiscalização interna e percepção pública da Corte.
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