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Motta fortalece aproximação com Lula e se posiciona contra pautas da direita

Motta aproxima-se de Lula e atua como aliado para frear pautas da direita e proteger o equilíbrio fiscal, como a redução da maioridade penal

Lula conta com Hugo Motta para barrar avanço de projeto que prevê a redução da maioridade penal. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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  • Hugo Motta passa a atuar como aliado estratégico de Lula, ajudando a frear pautas da oposição e a preservar o equilíbrio fiscal.
  • A aproximação visa também servir de anteparo para propostas aprovadas pelo Senado com impacto nas contas públicas, como medidas impopulares junto ao eleitorado.
  • Propostas do Senado consideradas “pautas-bomba” podem acarretar, segundo estimativas, cerca de R$ 215 bilhões em despesas públicas; Motta vem segurando essas matérias.
  • Entre as medidas de interesse da oposição está a redução da maioridade penal de dezoito para dezesseis anos; a tramitação depende da instalação de uma comissão especial na Câmara.
  • A aproximação ocorre em meio a disputas políticas na Paraíba, com Motta tentando fortalecer o apoio local de seu pai na corrida ao Senado, e com divergências sobre o apoio a candidatos.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou a aproximação com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atua como aliado estratégico em temas sensíveis às vésperas das eleições. A atuação busca barrar propostas do Senado com impacto fiscal e ampliar a influência da base governista na Câmara.

Governistas veem Motta como peça-chave para conter pautas de forte apelo popular que poderiam favorecer a oposição, como a redução da maioridade penal. A leitura é de que a proximidade facilita a interlocução com o Planalto diante da menor fluidez com a cúpula do Senado, orientada a acelerar propostas consideradas problemáticas pela equipe econômica.

A novidade na relação ocorreu após o Planalto recuar na urgência de um projeto sobre a escala de trabalho, atendendo a um pedido de Motta. O gesto é visto como tentativa de manter ambiente estável entre as casas. Em contrapartida, há expectativa de que Motta demore a analisar medidas que elevem gastos públicos.

Entre as preocupações do governo está um projeto aprovado pelo Senado que permite usar recursos do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas de produtores rurais. A equipe econômica calcula um impacto de até R$ 140 bilhões em dez anos, enquanto a Frente Parlamentar do Agronegócio aponta R$ 3,5 bilhões por ano.

Também constam no radar propostas que elevam o piso salarial de médicos e dentistas e criam regras próprias de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e endemias. A atuação de Motta é vista como útil para evitar que a oposição use temas de grande apelo popular como bandeiras eleitorais para 2026.

Um dos exemplos mais citados é a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A admissibilidade da PEC foi aprovada na CCJ, mas depende da instalação de uma comissão especial na Câmara. Especialistas apontam que a inércia pode evitar desgastes com o governo em tema de alto impacto político.

Relação com o Planalto mudou em ano eleitoral. Em 2025, houve embates entre Motta e Lindbergh Farias (PT-RJ), que chegou a ser acusado de tentar impor posições do governo em reuniões. A ruptura foi seguida por aproximação entre Lula e Motta, com foco em pautas de interesse do governo.

Analistas destacam que a reaproximação é tática e circunstancial, não um alinhamento programático de longo prazo. O objetivo dos dois lados é evitar desgaste e avançar medidas de impacto popular, mantendo o controle fiscal estável.

Também há foco no cenário para a eleição na Paraíba. O pai de Motta, Nabor Wanderley, é pré-candidato ao Senado. A aproximação a Lula ganhou força após o parlamentar gravar vídeo apoiando outro candidato no estado, o que não impediu a leitura de que o PT permanecerá na aliança local com Republicanos, PP e PSB.

Governistas veem Motta como anteparo para medidas aprovadas pelo Senado e para defender o equilíbrio fiscal. A atuação é vista como essencial para impedir que pautas com alto custo fiscal avancem antes das eleições. O Palácio do Planalto espera manter a influência da Câmara nesse período.

Sobre a trajetória recente, analistas destacam que Motta usa o regimento para gerir temas de alto potencial de polarização. Ao mesmo tempo, a leitura é de que o governo busca manter a Câmara como eixo de freio às pautas consideradas “bombas” para o orçamento público.

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