- Tebet afirma que o fim da escala 6 X 1 é um projeto bom e maduro para debater, sem transformar em disputa entre trabalhadores e setor produtivo; mantém o salário integral e aponta impacto de 1% no agronegócio, com serviço sentindo um pouco mais.
- A reforma tributária deveria trazer fôlego para a indústria e para o país; o período de transição pode ser ajustado ano a ano, e há necessidade de calcular impactos com cuidado, incluindo compensações para pequenas e médias empresas.
- Em 25 de maio, levantamento do Poder360 mostrou que a comissão da Câmara priorizou participação de representantes dos trabalhadores (71) frente aos do setor patronal (36); apenas oito especialistas técnicos foram convidados.
- Tebet enfatiza a importância de uma chapa com presença feminina e diz que há espaço para definição de vice na chapa de Fernando Haddad; defende equilíbrio entre mulheres e homens nas candidaturas majoritárias.
- Sobre o cenário econômico, defende ajuste fiscal responsável, apoio à reforma tributária e uso responsável de despesas; aponta necessidade de transparência e, se cabível, abertura de CPI/CPMI para investigar o Banco Master.
A ex-ministra Simone Tebet, pré-candidata ao Senado por São Paulo, afirmou ao Poder360 que o Brasil está preparado para debater e aprovar o fim da escala 6 por 1. Ela disse que o projeto da Câmara é bom e pode receber aperfeiçoamentos, mas não representa uma disputa entre trabalhadores e setor produtivo.
Tebet reforçou que mantém a defesa pela manutenção do salário integral, mesmo com a redução da jornada. Segundo ela, o impacto maior ocorreria no setor de serviços, especialmente entre pequenos empresários, enquanto o agronegócio teria efeito de cerca de 1%, conforme estudo do Ipea.
Ela avalia que a reforma tributária dará fôlego aos setores menos afetados e aponta a necessidade de avaliar uma extensão da transição. A senadora afirmou que será necessário calcular ano a ano os impactos positivos para pequenas, médias e grandes indústrias, com a aprovação da reforma.
Contexto da PEC e participação da comissão
Em 25 de maio, o Poder360 mostrou que a comissão que discutiu a PEC do fim da escala 6 X 1 privilegiou representantes dos trabalhadores, com 71 participações de sindicados ante 36 do setor patronal. Apenas 8 especialistas foram convidados a expor dados macroeconômicos.
A proposta já foi aprovada na Câmara, mas está paralisada no Senado. O principal impasse envolve o custo de implementação da medida e a necessidade de contrapartidas para evitar prejuízos aos pequenos negócios durante a transição.
Posicionamento de Tebet sobre o Senado
A ex-ministra minuto a minuto disse que pretende manter o texto da Câmara, com possibilidades de ajustes na Casa alta. Ela explicou que a transição pode ocorrer em um prazo de um a três anos, conforme a necessidade setorial, e que a simplificação de impostos terá efeito a partir do próximo ano.
Segundo Tebet, o Congresso deve mediar prazos sem comprometer serviços públicos. Ela afirmou que não vê a pauta como projeto eleitoreiro, apesar das pautas-bomba que exigem avaliação rigorosa. O foco é gradualidade e equilíbrio fiscal.
Sobre política, vice e composição de chapa
Na entrevista, Tebet disse que não comentaria hipóteses sobre candidaturas de vice em alianças adversárias. Afirmou que o PT já a apoiou no passado e que há acordo coletivo em processo para definir quem será vice na chapa de Haddad em São Paulo.
Ela enfatizou a importância da representatividade feminina na chapa, destacando a defesa de pelo menos 30% de mulheres na composição, embora avalie que 50% na chapa paulistana seria ideal em termos de paridade.
Perspectivas econômicas e juros
Tebet reconheceu que, independentemente de quem vencer, o Brasil precisará de ajuste fiscal no próximo ano. Defendeu equilíbrio entre gastos e fontes de receita, citando a necessidade de evitar pautas-bomba e de manter serviços essenciais.
Sobre juros, ela acredita em novas quedas da Selic apenas se houver condições externas estáveis. Apontou fatores como guerra e conflitos regionais que afetam o custo de fertilizantes e combustíveis, defendendo continuidade de crédito com condições diferenciadas para o agro.
Operação de combate à corrupção e transparência
Após a nova fase da Operação Compliance Zero envolvendo Jaques Wagner, Tebet afirmou que o líder do governo no Senado deveria ter considerado afastar-se para preservar a defesa e a gestão. Em relação a fraudes envolvendo o Banco Master, pediu transparência total e apoio a uma investigação parlamentar.
Ela reforçou a necessidade de uma CPI ou CPMI para esclarecer as denúncias, ressaltando que o Congresso deve oferecer clareza aos cidadãos, sem condenações prévias, enquanto as apurações seguem nos ramos jurídico e policial.
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