- O professor Eddie S. Glaude Jr. lança o livro America, U.S.A.: How Race Shadows the Nation’s Anniversaries, que coloca o circo político em ebulição ao redor das celebrações de 4 de julho, prazo próximo dos 250 anos dos EUA.
- O autor sustenta que, desde o começo, os Black Americans tiveram papel central na construção do país e que a ideia de uma “américa branca” é uma ficção que precisa ser confrontada.
- Segundo Glaude, as festas de independência reforçam mitos e justificam a sanitização da história brutal do país, normalizando discursos racistas e a supressão de direitos.
- O livro compara momentos históricos de “branqueamento” da memória com a atual virada, em que o ataque ao Voting Rights Act e ao Immigration and Nationality Act ameaça a democracia multirracial.
- Glaude afirma que o momento atual é de grande risco para a democracia e que os EUA estão em um ponto crucial entre ser uma “ré Publica branca” ou um “farol de liberdade”, com consequências geracionais.
O professor Eddie S. Glaude Jr., de Princeton, lança o livro America, U.S.A.: How Race Shadows the Nation’s Anniversaries, que analisa como crises políticas históricas tendem a aflorar perto das comemorações da independência dos Estados Unidos. O trabalho ganha relevância à luz dos 250 anos do país.
No volume, Glaude sustenta que a presença de Black Americans nas celebrações de 4 de julho expõe a contradição da narrativa nacional. Segundo o autor, a ideia de uma América livre e igualitária não condiz com a prática histórica, o que alimenta o processo de apagamento de fatos brutais do passado.
A obra revisita momentos de ruptura ao longo da história, destacando padrões de romantização da pátria. O autor aponta que tais celebrações costumam incentivar uma versão sanitizada da história, favorecendo a construção de um mito nacional em detrimento de verdades conjunturais.
Retomada do debate público
Glaude analisa o atual cenário político em meio ao ciclo de celebrações do 250º aniversário. O livro traça ligações entre a retórica de supremacia branca, o enfraquecimento de leis de direitos de voto e ameaças à cidadania por nascimento, descrevendo um esforço de reversão de avanços multirracia.
O trecho de uma entrevista divulgada pela imprensa britânica traz o diagnóstico do autor sobre o que chama de duplicidade da nação. Ele sustenta que o país se vê como farol de liberdade e, ao mesmo tempo, como uma república branca, o que gera conflitos internos de identidade.
O pesquisador destaca que, ao longo de momentos históricos, parte da sociedade promove uma memória seletiva para manter a inocência nacional. Nesse contexto, o apagamento de figuras negras e de sua participação histórica aparece como mecanismo de proteção de um ideal nacional.
Caminhos para o futuro
Glaude sugere que não há destino inevitável de permanecer na memória condicional do passado. O autor reforça a necessidade de reconhecer a complexidade histórica para que haja transformação real, sem impor agendas políticas no texto.
Questionado sobre o rumo do país, o professor afirma que o momento é crucial, com referências ao endurecimento de posições políticas no cenário atual. Ele afirma que é possível construir um país a partir das ruínas recentes, desde que haja amadurecimento cívico.
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