- Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Reciclagem contra um grupo familiar suspeito de fraudar licitações e contratos de coleta e destinação de resíduos em pelo menos quinze municípios gaúchos.
- A investigação aponta licitações simuladas para garantir contratos com prefeituras, seguidas de fraudes na execução dos serviços.
- O esquema teria causado prejuízo de até vinte milhões de reais aos cofres públicos; alguns contratos sob investigação chegam a setenta e quatro milhões de reais.
- Ao todo, são onze mandados de busca e apreensão e nove pessoas investigadas; o grupo atuaria em cidades como Rosário do Sul, Santo Antônio da Patrulha, Torres, Novo Hamburgo e Xangri-Lá, entre outras.
- Medidas cautelares impedem os investigados de participar de novas licitações e de firmar contratos com o poder público, além de restrições de deslocamento; as prefeituras são tratadas como vítimas.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou nesta quinta-feira uma operação contra um grupo suspeito de fraudar contratos de lixo em pelo menos 15 cidades do estado. A ação envolve 11 mandados de busca e apreensão, cumpridos em várias cidades, e mira práticas de licitações simuladas e irregularidades na execução dos serviços de coleta e destinação de resíduos.
Segundo as apurações, empresas controladas por membros da mesma família teriam participado de licitações simulando concorrência para obter contratos com prefeituras gaúchas. Após a contratação, o grupo seria responsável por fraudes na execução dos serviços, elevando os valores pagos pelos municípios.
A operação, batizada de Reciclagem, envolve o cumprimento de mandados em residências e em sedes de empresas localizadas em Torres, Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha, Rosário do Sul, Vacaria, Taquara, Arroio do Sal e Bom Jesus. Ao todo, nove pessoas são investigadas.
Os contratos sob investigação somam valores expressivos, com cifras que podem chegar a 74 milhões de reais. As apurações apontam que propostas de supostos concorrentes teriam sido elaboradas a partir de um mesmo computador em alguns casos, reforçando a suspeita de combinação de resultados.
Entre as irregularidades identificadas pela investigação estão cobranças duplicadas, pesagens repetidas de caminhões e registros de serviços que, segundo o MPRS, não teriam sido efetivamente realizados. Tais indícios ajudam a sustentar as denúncias de fraude.
Os investigados podem responder por organização criminosa, fraude em licitações, fraude em contratos administrativos, corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A Justiça também impôs medidas cautelares, impedindo participação em novas licitações e firmar contratos com o poder público, além de restrições de deslocamento.
Em nota, o MPRS informou que as administrações municipais não são alvo direto da operação e são tratadas como vítimas das supostas fraudes. O andamento das investigações deverá trazer novos desdobramentos sobre o caso.
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