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Senival Moura, vereador preso, em operação de lavagem de dinheiro ligada ao PCC em ônibus

Gaeco e Deic prendem Senival Moura, vereador, sob suspeita de liderar esquema de lavagem de dinheiro do PCC via Transunião Transportes

O vereador Senival Moura, do PT, durante sessão de CPI na Câmara Municipal de São Paulo. — Foto: Divulgação/Rede Câmara
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  • Senival Pereira de Moura (PT), vereador de São Paulo, foi preso na Operação Última Parada, investigado por lavagem de dinheiro relacionada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em a Transunião Transportes S.A.
  • Investigação aponta que a Transunião teria sido usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos, com o vereador interceptando ou autorizando repasses financeiros.
  • O núcleo familiar e assessores são citados nas movimentações, incluindo a esposa Maria de Lourdes Andrade de Moura, os filhos Ítalo e Vitor Andrade de Moura, o irmão Rubens Pereira de Moura, o assessor Adão Lino dos Santos e o motorista Devanil Sousa Nascimento, o “Sapo”.
  • Entre 2019 e 2022, o parlamentar movimentou cerca de R$ 4,39 milhões, com uma diferença superior a R$ 2,4 milhões entre valores movimentados e rendimentos declarados.
  • A linha de investigação ainda envolve o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, ocorrido em março de 2020, com o MP sustentando que o crime estaria ligado a desvio de recursos para subsidiar o PCC.

Senival Moura, vereador de São Paulo pelo PT, foi preso na Operação Última Parada, deflagrada nesta quinta-feira pelo Gaeco e pelo Deic. A ação investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC envolvendo a Transunião Transportes S.A. e aponta o parlamentar como figura central do esquema.

A operação aponta que a empresa de ônibus foi usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção. Senival ocupa, no sexto mandato, os cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal.

Além de atuar na área de transportes, a investigação descreve uma trajetória política da Zona Leste, com ligações a operadores de transporte alternativo desde os anos 2000. Os investigadores indicam que Senival já era alvo de apurações relacionadas à morte de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, em 2020.

Investigação

O ponto de partida foi o assassinato de Adauto Soares Jorge, executado no estacionamento de uma padaria no Lajeado, em março de 2020. A polícia apontou Adauto como testa de ferro da Transunião, ligada ao suposto esquema de lavagem.

Em 2022, a Polícia Civil prendeu suspeitos e apreendeu 13 ônibus da Transunião. O vereador negou as acusações e afirmou estar à disposição da Justiça. A nova operação reforça a possibilidade de envolvimento de Senival no caso.

Os autos indicam que, entre 2019 e 2022, Senival movimentou cerca de 4,39 milhões de reais. Segundo os investigadores, há diferença de mais de 2,4 milhões entre valores movimentados e rendimentos declarados. Ainda segundo o MP, familiares e assessores aparecem para ocultar patrimônio.

Estrutura familiar e operacional

A investigação cita a esposa Maria de Lourdes Andrade de Moura, filhos Ítalo e Vitor, e o irmão Rubens Pereira de Moura em registros societários suspeitos. Regulam as operações o assessor Adão Lino dos Santos e o motorista Devanil Sousa Nascimento, o Sapo.

Entre as evidências estão mensagens que ligam Senival a apelidos como presidente, véio e vereador, usados para identificar o político nos diálogos dos operadores. A soma de indícios sustenta a tese de controle do esquema pelo parlamentar.

Patrimônio e imóveis

Planilhas apreendidas indicam que Senival seria cooperado oficial de pelo menos 13 ônibus da frota, apontando o verdadeiro beneficiário econômico. Desvios seriam repassados ao político, com uso de familiares e assessores para ocultar o fluxo financeiro.

Os autos mencionam imóveis de alto padrão, incluindo um apartamento na Vila Madalena e uma propriedade rural em Extrema, Minas Gerais. A defesa do vereador nega irregularidades e afirma cooperação com a Justiça.

A investigação ressalta que, conforme os elementos reunidos, houve acordo para manter o apoio político em troca de favorecimentos financeiros, em um contexto de atuação da organização criminosa em São Paulo.

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