- Ex-chefe das Forças Armadas de Israel, Gadi Eisenkot, lidera o novo partido Yashar e ganha apoio nas pesquisas, podendo desafiar Netanyahu nas próximas eleições.
- Eisenkot ficou conhecido pela linha-dura em segurança e perdeu o filho em Gaza, reforçando uma imagem de outsider da política.
- O Yashar pode ter a segunda maior bancada no parlamento, atrás do Likud, e pode formar coalizões com mais facilidade do que o Likud.
- Ainda sem data definida, a eleição deve ocorrer até o fim de outubro; Naftali Bennett também aparece como figura relevante no cenário.
- A postura de Eisenkot em Gaza, Líbano e Irã, aliada a críticas à condução de Netanyahu, atrai apoio entre eleitores que valorizam segurança.
Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças de Defesa de Israel, surge como potencial rival de Benjamin Netanyahu nas eleições previstas até outubro. O ex-militar de 66 anos aparece com chance de desalojar o premiê, numa corrida marcada pela defesa de uma linha de segurança rígida e pela distância de antigas políticas de Netanyahu.
O novo partido de Eisenkot, chamado Yashar, avança nas sondagens, ocupando a segunda maior bancada prevista do Knesset, atrás do Likud. Mesmo assim, nenhum bloco tende a alcançar a maioria, mantendo o cenário de coalizões incertas para formar governo.
A trajetória pública de Eisenkot o apresenta como figura externa à política tradicional, com origem humilde. Sua vida é associada a decisões de segurança firmes, contrastando com a longa liderança de Netanyahu e os casos de corrupção que pesam sobre o atual premiê.
A eleição, ainda sem data definida, pode ocorrer até o fim de outubro. No sistema parlamentar, as dúvidas sobre composições de coalizão persistem, com Naftali Bennett também figurando como possível ator principal.
Linha-dura em segurança
Se eleito, Eisenkot dificilmente alteraria significativamente o eixo de segurança regional. O ex-chefe do Estado-M maior participou do governo de guerra durante o conflito em Gaza e criticou políticas de cessar-fogo que, segundo ele, limitaram ações de Israel.
Durante a guerra de 2006 contra o Hezbollah, Eisenkot desenvolveu uma estratégia de dissuasão com ataques contundentes a alvos estratégicos, inclusive no Libano. Ele sustenta que o país deve manter liberdade de atuação contra ameaças, mesmo em áreas civis.
A defesa de uma resposta contundente ficou conhecida pela chamada doutrina Dahiyeh, associada a ataques desproporcionais contra infraestrutura em áreas de apoio a militantes. Eisenkot afirma ter aplicado essa lógica em operações regionais.
Origem humilde e apoio eleitoral
Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot atrai eleitores mizrahis, tradicional base de apoio de Netanyahu, por meio de uma narrativa de ascensão de classe trabalhadora. Eleitos para o Parlamento em 2022, ele ingressou no gabinete de guerra por oito meses após o ataque de 7 de outubro.
A morte do filho Gal Meir em Gaza, em dezembro de 2023, e perdas familiares de seus sobrinhos fortalecem a imagem de figura representante de sacrifícios. Autores e analistas destacam que esse conjunto de fatores humaniza sua figura pública.
Avaliações e perspectivas
Especialistas apontam que Eisenkot pode se conectar com eleitores que desejam mudança, sem abandonar a segurança como prioridade. O impacto político ainda depende de como o Knesset e a coalizão se formarem após as próximas eleições.
Segundo a pesquisadora Tamar Hermann, a habilidade de Netanyahu em contornar crises políticas pode manter ao premiê espaço estratégico, mesmo com o crescimento de rivais. O cenário envolve negociações entre diversos partidos para a formação do governo.
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