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Pesquisadora britânica acusa big techs de explorar vulnerabilidades emocionais

Reino Unido proíbe menores de dezesseis anos em redes sociais; Brasil amplia fiscalização de plataformas para proteção de crianças e adolescentes

Modelo de negócios das redes sociais é estruturado para maximizar atenção, explica especialista
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  • A pesquisadora britânica Kaitlyn Regehr afirma que as big techs estruturam seus modelos para maximizar a atenção, o que amplifica conteúdos nocivos e vulnerabilidades emocionais.
  • O Reino Unido vai proibir menores de 16 anos nas principais redes sociais, incluindo TikTok, Facebook, Instagram e X; também vetará transmissões ao vivo e chats com estranhos em apps de jogos, com implementação até o Natal e efeitos no início de 2027.
  • No Brasil, Lula assinou dois decretos em 20 de maio ampliando a fiscalização de redes sociais e regulamentando decisões do STF sobre o Marco Civil; a ANPD passa a monitorar cumprimentos e a atuar de forma proativa contra crimes graves.
  • Um júri na Califórnia condenou Meta e Google a pagar US$ 6 milhões por contribuírem para crise de saúde mental entre jovens via Instagram e YouTube, movimento que desloca o foco para o funcionamento algorítmico das plataformas.
  • Regehr defende segurança desde o design e uma “dieta digital” saudável, criticando o foco apenas em tempo de tela; orienta pais a reduzir o uso do YouTube por crianças e a evitar exposição precoce, além de discutir verificação de idade e privacidade.

Kaitlyn Regehr, pesquisadora britânica, alerta que o modelo de negócio das redes sociais é orientado para capturar atenção, o que pode ampliar conteúdos nocivos e vulnerabilidades emocionais. Em entrevista, ela ressalta que plataformas sabem até sinais de automutilação em crianças.

A quebras de padrão são discutidas em âmbito global. No Reino Unido, o governo anunciou restrições para menores de 16 anos em TikTok, Facebook, Instagram e X, incluindo limitação de transmissões ao vivo e interação com estranhos, com implementação prevista até 2027.

Medidas regulatórias no Brasil

No Brasil, o governo avança na fiscalização sobre redes sociais. Em maio, o presidente assinou decretos que ampliam o poder da ANPD para monitorar cumprimento de determinações do STF sobre o Marco Civil da Internet. A atuação abrange conteúdo ilegal e nocivo, como indução ao suicídio e violência contra mulheres.

Os decretos são vistos como parte de uma estratégia para avançar temas que ficaram emperrados no Congresso, como o PL das Fake News. A oposição, porém, aponta riscos de censura indireta e insegurança jurídica, ao impor obrigações sem aprovação legislativa.

Debate sobre eficácia de controles

Regehr destaca que controles parentais e ferramentas de bem-estar costumam ter eficácia limitada, com fácil bypass por jovens. Ela recomenda limites práticos, como não levar o celular para o quarto à noite, e critica a dependência de soluções oferecidas pelas próprias plataformas.

A pesquisadora também comenta sobre a forma como conteúdos nocivos são apresentados aos jovens. Em testes com perfis simulados, a velocidade de entrega de mensagens prejudiciais surpreendeu, enfatizando o risco de exposição contínua a conteúdos extremos.

Microdosagem de dano e segmentação emocional

O tema de “microdosagem de dano” é central para a warning de políticas públicas. O conteúdo tende a intensificar de forma gradual, ajudando a manter a atenção e impulsionar publicidade. Um conceito citado envolve a segmentação emocional, que aponta para venda de produtos alinhados a vulnerabilidades específicas.

Regehr defende que o foco precisa migrar da remoção de conteúdos após dano para a segurança integrada desde o design das plataformas. Ela cita falhas da regulamentação atual e a necessidade de penalidades reais para o não cumprimento.

Visão sobre verificação de idade e privacidade

Sobre verificação de idade, a pesquisadora aponta que as plataformas já sabem muitos dados dos usuários, tornando a exigência de confirmação uma ferramenta com potencial de proteger, desde que bem implementada. Ela ressalta que questões de privacidade não devem adiar medidas de proteção.

Para a brasileira, o desafio é equilibrar proteção de crianças com respeito a direitos. O debate envolve governança de algoritmos, responsabilidade das plataformas e ações efetivas para reduzir danos, especialmente entre adolescentes.

Conclusões sobre o impacto social

Em perspectivas de longo prazo, Regehr aponta impactos na saúde mental e na polarização social. A hiperpersonalização e o isolamento em silos informacionais podem enfraquecer o senso de coletivo. A especialista defende políticas públicas que promovam segurança digital desde o projeto, aliado a mecanismos de fiscalização eficientes.

A entrevista foi conduzida pela BBC News Brasil. Fonte aponta para a necessidade de políticas públicas robustas que restrinjam danos, sem comprometer direitos e acesso à informação.

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