- A Polícia Federal indiciou o diretor-geral da ANM, Mauro Sousa, por suspeita de integrar uma associação criminosa voltada à exploração ilegal de minério na Serra do Curral, em Minas Gerais.
- Ao todo, fifty pessoas foram indiciadas nos dois inquéritos das operações Rejeito e Parcours, envolvendo também outros diretores da ANM e empresários do setor.
- A investigação aponta uso de planos de recuperação ambiental como fachada para a lavra irregular da mina Granja Corumi e para a extração, beneficiamento, logística e venda de minério.
- A PF indica que houve relação próxima entre Mauro Sousa e representantes da empresa Empabra Green Metals, com comunicações que teriam facilitado interesses privados dentro da ANM.
- Entre os indiciados estão Caio Trivelatto, Pablo César de Sousa e Lucas Kallas; Sousa também responde por advocacia administrativa e tráfico de influência.
A Polícia Federal indicou Mauro Sousa, diretor-geral da ANM, por suspeita de integrar uma associação criminosa voltada à exploração ilegal de minério na Serra do Curral, em Minas Gerais. A PF aponta uso da função pública para atender interesses privados da Empabra Green Metals.
Segundo as investigações, Sousa teria atuado para favorecer a empresa investigada, vinculando-se a atividades de lavra irregular e infrações ambientais. Sousa já comanda a ANM desde 2022 e afirmou à Folha que se pronunciará após ter acesso ao relatório integral.
Além de Sousa, a PF indiciou 50 pessoas em dois inquéritos ligados às operações Rejeito e Parcours, na superintendência da corporação em Minas. A lista inclui Caio Trivelatto, diretor da ANM, e Pablo César de Sousa, ex-assessor do senador Rodrigo Pacheco.
Lucas Kallas, empresário do setor de mineração, também foi indiciado. Ele já foi parceiro de negócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, principal investidor do Banco Master. A PF não informou se Kallas já respondeu a pedidos de comentário.
O núcleo do inquérito envolve o uso de planos de recuperação ambiental e de fechamento de mina como fachada para a extração ilegal na Mina Granja Corumi, em Belo Horizonte. A PF descreve a prática como transformação de dever ambiental em atividade minerária econômica.
A investigação afirma que Sousa mantinha relação próxima e informal com representantes da Empabra Green Metals, com mensagens e 61 ligações entre 2023 e 2025. Os investigadores veem a proximidade como incompatible com a impessoalidade esperada.
Relatos indicam que o diretor-geral encaminhou demandas à área técnica, antecipou informações internas da agência e atuou como facilitador do grupo junto à ANM, conforme o relatório da PF. Sousa também é investigado por advocacia administrativa e tráfico de influência.
Entre os indiciados, Caio Trivelatto é apontado como atuando para atender interesses de empresários investigados, influenciando atos normativos e decisórios a favor de mineradores. As apurações prosseguem para esclarecer responsabilidades.
A PF aponta potencial lucro de até 2,3 bilhões de reais com a monetização do minério extraído de forma irregular na Serra do Curral, indicando organização com divisão de tarefas e mecanismos de captura institucional. A apuração busca demonstrar a continuidade do esquema.
A reportagem não teve contato imediato com Trivelatto até a publicação. Pablo César de Sousa afirmou que não comentaria o mérito no momento, ressaltando, porém, ética em sua atuação pública. Kallas não respondeu a pedidos de comentário.
A Foley não divulgou demais informações, mantendo o interesse público em entender como o esquema operava e quais controles falharam. As investigações seguem para confirmar a extensão das irregularidades e as possíveis sanções aos envolvidos.
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