- Em 2025, Donald Trump lucrou mais de 1,4 bilhão de dólares com criptomoedas, principalmente via World Liberty Financial e venda de memecoins, conforme o Gabinete de Ética Governamental.
- As declarações indicam uma queda de postura regulatória anterior, com avanços em regras para stablecoins; surgiram acusações de uso do cargo para enriquecer.
- Casos internacionais mostram influência cripto na política: Nigel Farage recebeu 5 milhões de libras de um magnata cripto; Pavel Blažek renunciou ao cargo após aceitar 468 bitcoins; o eurodeputado espanhol Luis Pérez Fernández foi acusado de financiamento em criptomoedas; Milei promoveu a criptomoeda Libra.
- Especialistas dizem que as criptomoedas ganham peso na política, tanto como doação quanto como indústria influente, com debates sobre regulação e impactos econômicos.
- Riscos de rastreamento de doações e conflitos de interesse aumentam com o uso de carteiras digitais, segundo especialistas; relatório da Chainalysis aponta crescimento do uso por grupos extremistas na Europa.
Trump lucrou cerca de US$ 1,4 bilhão com criptomoedas em 2025, segundo o Gabinete de Ética Governamental dos EUA. A maior fatia veio da World Liberty Financial, com quase US$ 800 milhões, seguido por vendas de memecoins, que somaram US$ 635 milhões. O relatório foi divulgado em 30 de junho.
A divulgação aponta que as operações envolveram fundos de empresas ligadas a Trump, apontando para ganhos obtidos antes e durante o exercício do cargo. Parlamentares e analistas destacam que as informações evidenciam uma relação cada vez mais próxima entre política e mercado de criptoativos.
No cenário internacional, Nigel Farage, líder do Reform UK, responde a críticas após receber um presente de 5 milhões de libras de um bilionário ligado a criptomoedas. A figura pública mantém postura favorável às criptomoedas e promete avanços regulatórios caso assuma cargo.
Na União Europeia, Pavel Blažek, ex-ministro da Justiça da República Tcheca, renunciou em 2025 após aceitar 468 bitcoins, avaliados em cerca de 45 milhões de dólares, de um criminoso condenado. No mesmo território, o eurodeputado espanhol Luis Alvise Pérez Fernández é acusado de financiamento em criptomoedas por suspeita de ligação com fraude.
Na América Latina, o presidente argentino Javier Milei enfrenta críticas por promover o ativo Libra, cuja valorização foi seguida de queda abrupta. Milei negou irregularidades e afirmou ter agido de boa-fé ao compartilhar informações sobre a criptomoeda nas redes sociais.
Influência política e regulação
Especialistas destacam que as criptomoedas ganham peso na política, tanto como doação quanto como indústria com potencial de influência sobre políticas públicas. A leitura é de que o setor busca ambientes regulatórios mais amistosos e maior integração ao sistema financeiro.
Para a pesquisadora Eliza Lockhart, do Royal United Services Institute, a presença de criptoativos na política cresce pela possibilidade de transferir valores rapidamente pela fronteira e pela maior capacidade de financiamento de campanhas. A próxima etapa envolve regras mais claras.
O professor Edoardo Beretta, da Universidade da Suíça Italiana, aponta que quedas recentes nas cotações reduziram o entusiasmo inicial, mas não encerraram o interesse no tema. O mercado acompanha movimentos de regulação e de aceitação institucional.
Riscos e transparência
O tempo de anonimato das carteiras digitais complica o rastreamento de doações de campanha, segundo especialistas. A blockchain registra transações, mas nem sempre revela a identidade de quem controla a carteira ou a origem dos recursos.
Relatórios de monitoramento indicam que o uso de criptomoedas por grupos extremistas tem se aproximado de níveis observados em outros mercados, o que levou alguns países a restringir doações políticas em criptoativos. O Reino Unido, por exemplo, proibiu temporariamente esse tipo de doação.
Conflitos de interesse
A relação entre políticas públicas e empresas de cripto exige avaliação cuidadosa de conflitos de interesse. As quantias pagas a políticos, seja via doações ou financiamentos, reforçam a necessidade de transparência em investimentos pessoais ligados a cargos públicos.
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