Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Bonduki afirma que melhoria de São Paulo depende de debates sobre a cidade

Nabil Bonduki alerta que a revisão do Plano Diretor de 2023 acelera a verticalização predatória, com demolições e falhas de fiscalização, defendendo consenso democrático

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Nabil Bonduki, vereador e professor da FAU-USP, critica o Plano Diretor de 2023 por desfigurar São Paulo, com adensamento excessivo e demolições questionáveis.
  • O arquiteto aponta brechas regulatórias e concessões de parques que favoreceriam o mercado, além de destombamentos que prejudicam o patrimônio público.
  • Ele cita quatro poluições que afetam a cidade: atmosférica, sonora, visual e da água.
  • Sobre parques municipais, afirma que é possível reverter falhas com planejamento, fiscalização e participação da sociedade, citando exemplos como o Ibirapuera e a Tijuca.
  • Bonduki defende a democracia e afirma que melhorias vêm do debate público e de consensos, criticando a polarização e a falta de resistência institucional na Câmara.

Nabil Bonduki, vereador de São Paulo pelo PT e professor da FAU-USP, analisa a transformação da cidade após a revisão do Plano Diretor de 2023. Ele aponta avanços da verticalização predatória, mudanças nos parques e um discurso político polarizado que, segundo ele, dificulta a gestão pública. Bonduki defende o consenso democrático como antídoto para a crise de governança.

Em entrevista, o urbanista detalha como começou a acompanhar a cidade por meio de visitas técnicas com alunos e, hoje, conduz ações públicas que mesclam ensino, fiscalização e atuação institucional. O objetivo é ampliar a compreensão sobre planejamento urbano entre a população e autoridades.

O que mudou no Plano Diretor de 2023

Bonduki afirma que o arcabouço de 2014, ajustado até 2023, previa adensamento próximo a eixos de transporte público e proteção a áreas culturais. A revisão de 2023, segundo ele, ampliou brechas que permitiram a verticalização sem as salvaguardas anteriores.

O vereador aponta falhas na fiscalização e a transformação de Habitação de Interesse Social em imóveis de alta renda. Ele critica a postura do Conpresp, que segundo ele, tornou-se mais resistente a tombamentos e menos protetor da memória da cidade.

Parques, concessões e uso do espaço público

A fiscalização de parques municipais é tema central. O relato de Bonduki cita concessões mal planejadas e projetos que teriam transformado áreas públicas em espaços com viés comercial. Em contraste, o urbanismo vivo de festas de rua é apresentado como evidência de uso público mais inclusivo.

Sobre o Vale do Anhangabaú, ele aponta que recursos públicos foram direcionados a empresas privadas, restringindo o acesso da população a um espaço histórico aberto. Em contrapartida, há exemplos de eventos gratuitos em praças e largos que fortalecem o cotidiano urbano.

Quatro poluições que afetam a cidade

O vereador enumera quatro poluições: atmosférica, causada por veículos movidos a combustíveis fósseis; sonora, com ruídos elevadíssimos; visual, ainda que mitigada pela Lei Cidade Limpa; e hídrica, com rios e córregos contaminados. Ele defende ações integradas para combate dessas problemáticas.

Bonduki sustenta que as mudanças devem combinar planejamento, fiscalização e participação popular para que parques, equipamento público e áreas de uso comum funcionem de forma sustentável. A ideia é promover equilíbrio entre atividades econômicas e direito à cidade.

Caminhos para a cidade e a Câmara

Na visão do professor, o ambiente institucional atual na Câmara é um desafio, com espaços de negociação menos disponíveis e debates técnicos menos profundos. Ainda assim, ele reafirma a importância da democracia para avançar em soluções democráticas.

Sobre o futuro, Bonduki afirma que mudanças estruturais levam tempo e dependem de consenso social. Ele enfatiza a necessidade de ouvir as comunidades, planejar com transparência e manter a defesa de espaços públicos abertos e acessíveis.

Nota de contexto: Kongjian Yu, arquiteto citado, faleceu em 2025 e não participa de iniciativas atuais. A menção é apenas para contexto histórico da entrevista.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais