A frequência de tempestades severas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro deve aumentar entre 20% e 30% entre 2025 e 2034, segundo projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Especialistas em eletricidade atmosférica da instituição apontam que a alta incidência de raios em janeiro na capital paulista já indica um agravamento […]
A frequência de tempestades severas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro deve aumentar entre 20% e 30% entre 2025 e 2034, segundo projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Especialistas em eletricidade atmosférica da instituição apontam que a alta incidência de raios em janeiro na capital paulista já indica um agravamento desses eventos, impulsionado pela mudança climática global e pelo fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico.
Para elaborar essa previsão, os cientistas utilizaram modelos matemáticos alimentados com dados recentes, incluindo tempestades dos últimos dez anos. Osmar Pinto Jr., coordenador da pesquisa, afirma que todos os modelos indicam um aumento na frequência de tempestades severas, embora a magnitude desse aumento varie entre eles. Apesar de representarem apenas 1% das tempestades no Brasil, as severas somam cerca de 5 mil eventos extremos anuais, com ventos superiores a 70 km/h ou mais de mil raios em um único dia.
Embora a Amazônia seja a região com mais descargas elétricas, São Paulo e Rio foram escolhidas para o estudo devido à sua alta densidade populacional e vulnerabilidade a temporais. Nos últimos anos, os ventos têm causado danos significativos à infraestrutura, como os apagões em novembro de 2023 e outubro de 2024 em São Paulo. As mortes por raios também são preocupantes, com 30 ocorrências em São Paulo e Manaus nos últimos dez anos, e 10 no Rio de Janeiro.
O aquecimento local nas metrópoles é exacerbado pela urbanização, que substitui solo e vegetação por asfalto e construções. Em algumas áreas de São Paulo, as temperaturas ultrapassam 30°C, mesmo em dias mais amenos. Pinto Jr. ressalta que a projeção para a próxima década não considera o aumento do efeito de ilha de calor, pois não se espera um avanço da urbanização nas duas cidades no mesmo ritmo do século XX.
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