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Mudanças climáticas ameaçam a sobrevivência das rãs na Amazônia e no Atlântico

- Anfíbios enfrentam colapso devido ao fungo Batrachochytrium dendrobatidis. - Estudo revela que até 33% dos habitats de anuros podem se tornar áridos. - Amazônia e Atlântico são as regiões mais vulneráveis ao aquecimento global. - Aumento de temperatura impactará a atividade das rãs e sapos em até 22%. - Estratégias de sobrevivência dos anfíbios podem não acompanhar a velocidade da mudança climática.

As rãs e sapos enfrentam uma crise existencial devido ao impacto do Batrachochytrium dendrobatidis, um fungo devastador que afeta a biodiversidade. Estudos recentes indicam que esses anfíbios estão entre os grupos mais ameaçados pelo mudança climática. Carlos Navas, professor da Universidade de São Paulo, destaca que a sobrevivência dos anuros depende da sensibilidade de cada […]

As rãs e sapos enfrentam uma crise existencial devido ao impacto do Batrachochytrium dendrobatidis, um fungo devastador que afeta a biodiversidade. Estudos recentes indicam que esses anfíbios estão entre os grupos mais ameaçados pelo mudança climática. Carlos Navas, professor da Universidade de São Paulo, destaca que a sobrevivência dos anuros depende da sensibilidade de cada espécie e das condições hídricas.

Uma pesquisa publicada na revista Nature Climate Change revela que entre 6,6% e 33% dos habitats dos anuros poderão se tornar áridos até o final do século, dependendo das ações atuais. Se a temperatura aumentar apenas 2 °C, a área afetada será de 6,6%, mas se ultrapassar 4 °C, esse número pode chegar a 33,6%. A região amazônica e o bosque Atlântico estão entre as áreas mais vulneráveis, com alta riqueza de espécies e projeções de aridez severas.

Para a pesquisa, foi criada uma base de dados com informações sobre 6.416 espécies ameaçadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Apesar das ameaças, as rãs e sapos possuem adaptações notáveis, como a produção de uma cera protetora e a habilidade de se enterrar em profundidades de até dois metros durante períodos secos. Essas estratégias são essenciais para a sobrevivência em um ambiente em mudança.

O estudo também aponta que o aquecimento global e a sequência de secas reduzirão as horas ideais para a atividade dos anuros. A pesquisa indica que a atividade das rãs de solo e impermeáveis pode cair até 22% sob a combinação de ambos os fatores. Navas questiona se a capacidade de adaptação dos anfíbios conseguirá acompanhar a velocidade das mudanças climáticas, um processo que pode levar milhares de anos.

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