Os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em mil novecentos e quarenta e sete, podem ser até cem anos mais antigos do que se acreditava. Um novo estudo, publicado na revista PLOS One, utilizou datação por radiocarbono e inteligência artificial para determinar que alguns manuscritos bíblicos datam de aproximadamente dois mil e trezentos anos atrás, período […]
Os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em mil novecentos e quarenta e sete, podem ser até cem anos mais antigos do que se acreditava. Um novo estudo, publicado na revista PLOS One, utilizou datação por radiocarbono e inteligência artificial para determinar que alguns manuscritos bíblicos datam de aproximadamente dois mil e trezentos anos atrás, período em que seus autores viveram.
Os manuscritos foram encontrados por pastores beduínos no deserto da Judeia, próximo ao Mar Morto. Desde então, arqueólogos recuperaram milhares de fragmentos de duzentos manuscritos em onze cavernas, perto de Khirbat Qumran, na atual Cisjordânia. Mladen Popović, autor principal do estudo e reitor da Faculdade de Religião, Cultura e Sociedade da Universidade de Groningen, destacou a importância dos manuscritos para a compreensão do judaísmo antigo e do cristianismo.
A nova pesquisa revelou que a maioria dos manuscritos analisados é mais antiga do que se pensava. Apenas dois foram considerados mais novos. O estudo utilizou novas técnicas de datação em trinta manuscritos, e a inteligência artificial, chamada Enoch, foi treinada com imagens de documentos recém-datados. A IA acertou a idade de oitenta e cinco por cento dos casos, oferecendo uma janela de datação mais precisa.
Avanços na Datação
Os métodos anteriores de datação, realizados na década de noventa, não consideraram contaminantes modernos, como o óleo de rícino, que afetaram os resultados. Com a nova abordagem, alguns manuscritos foram datados até o final do século quarto a.C., revelando que podem ser cinquenta a cem anos mais antigos do que se acreditava. Um manuscrito do Livro de Daniel, antes datado do século segundo a.C., agora é considerado contemporâneo ao autor original.
Popović sugere que a inteligência artificial pode, no futuro, substituir a datação por radiocarbono, já que não requer a destruição de amostras. A pesquisa foi bem recebida por especialistas, que veem a combinação de IA e datação aprimorada como um avanço significativo na área. Charlotte Hempel, professora da Universidade de Birmingham, destacou que a IA pode oferecer uma precisão maior nas estimativas de idade dos manuscritos.
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