Manifestantes protestam contra desmatamento em Uibaí (BA) Em março de 2024, dezenas de pessoas se reuniram em Uibaí, na Bahia, para protestar contra o desmatamento de 1.554 hectares de caatinga nativa, necessário para a instalação de um complexo solar da empresa norueguesa Statkraft. O evento, conhecido como 3º Grito do Boqueirão, destaca preocupações com os […]
Manifestantes protestam contra desmatamento em Uibaí (BA)
Em março de 2024, dezenas de pessoas se reuniram em Uibaí, na Bahia, para protestar contra o desmatamento de 1.554 hectares de caatinga nativa, necessário para a instalação de um complexo solar da empresa norueguesa Statkraft. O evento, conhecido como 3º Grito do Boqueirão, destaca preocupações com os impactos ambientais e a falta de consulta às comunidades locais.
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) concedeu licenças para o projeto em maio de 2024, sem considerar a opinião das comunidades afetadas. Edimário Oliveira, presidente da ONG Umbu, expressou sua indignação: “Nós ficamos assombrados por isso”. Durante a manifestação, os participantes caminharam por uma trilha de 3 quilômetros até uma área reflorestada pela ONG, evidenciando a biodiversidade local.
A primeira fase do projeto recebeu licença para desmatar 454 hectares, área equivalente a quase três vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo. Edimário teme que a Statkraft solicite mais licenças dentro do prazo de três anos. A empresa, por sua vez, afirmou que a área licenciada é necessária para estudos técnicos e que não planeja solicitar novas licenças no momento.
Impactos Ambientais e Sociais
O desmatamento na região tem gerado preocupações sobre o ciclo hidrológico local. Clarice Ferraz, pesquisadora da UFRJ, alertou que a remoção de árvores afeta a evapotranspiração, resultando em menos chuvas e maior ressecamento do território. Nos últimos cinco anos, 12,8 mil hectares de vegetação nativa foram desmatados no Brasil para projetos de energia renovável, com mais de 90% dessa área localizada na caatinga.
Comunidades tradicionais, como quilombolas e moradores de fundo e fecho de pasto, também relatam impactos diretos. Adelmiro de Oliveira, morador local, destacou que a degradação tem secado nascentes e reduzido áreas para pastagem. Os quilombolas da comunidade de Serra Grande afirmam que a empresa não considerou suas necessidades e que o riacho da região está seco há dois anos.
A ONG Umbu e as comunidades afetadas propuseram alternativas para a instalação do parque solar sem desmatamento, mas a proposta não foi aceita. A Statkraft defende que o projeto está em conformidade com as exigências ambientais e que desenvolveu programas para proteger a biodiversidade local.
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