- Um funcionário do Arquivo Nacional dos Países Baixos roubou documentos históricos entre 2015 e 2016, sem que a instituição percebesse a falta deles por uma década.
- Recentemente, 25 manuscritos e documentos foram recuperados com a ajuda do detetive de arte Artur Brand, após serem encontrados em uma caixa por familiares de um homem doente.
- Os documentos, que datam de 1445 ao século XIX, incluem o diário de navegação do almirante Michiel de Ruyter, que relata a batalha do Cabo de San Vicente em 1641.
- A recuperação ocorreu em maio de 2023, quando Brand contatou a equipe de agentes de Amsterdã, que investiga roubos de arte.
- A porta-voz do Arquivo Nacional, Evy Elschot, afirmou que a falta de documentos só é notada quando alguém os solicita, o que pode levar a longos períodos sem que a ausência seja percebida.
Um funcionário do Arquivo Nacional dos Países Baixos, que atuou entre 2015 e 2016, roubou documentos históricos valiosos sem que a instituição percebesse a falta deles por uma década. Recentemente, 25 manuscritos e documentos foram recuperados com a ajuda do detetive de arte Artur Brand, após serem encontrados em uma caixa por familiares de um homem doente.
O ladrão, já falecido, havia deixado os documentos como garantia de uma dívida com um amigo. Os manuscritos, que datam de 1445 ao século XIX, incluem itens de grande importância, como o diário de navegação do almirante Michiel de Ruyter, que descreve a batalha do Cabo de San Vicente em 1641. Parte do material é considerado patrimônio mundial pela UNESCO, relacionado à Companhia das Índias Orientais (VOC), a primeira multinacional do mundo.
Brand recebeu um e-mail de um desconhecido que encontrou a caixa durante a limpeza do sótão. Ao analisar os documentos, ele percebeu que eram provavelmente roubados. Após investigar, Brand informou a família sobre a origem ilícita dos itens. Eles decidiram confiar a caixa ao detetive, que se comprometeu a devolvê-los ao Arquivo Nacional.
Recuperação dos Documentos
A recuperação ocorreu em maio de 2023, quando Brand contatou Marijke de Jager, da equipe de agentes de Amsterdã, que investiga roubos de arte. Surpreendentemente, os responsáveis pelo arquivo acreditavam que os documentos estavam apenas mal guardados. Evy Elschot, porta-voz do arquivo, explicou que a falta de um documento só é notada quando alguém o solicita, o que pode levar a longos períodos sem que a ausência seja percebida.
Os documentos da VOC fazem parte da coleção do Arquivo Nacional há 175 anos, enquanto outros itens datam de 50 a 100 anos. A instituição possui 140 quilômetros de arquivos, o que dificulta a catalogação completa. Elschot ressaltou que, apesar das medidas de segurança, é impossível prevenir completamente roubos em uma coleção tão vasta.
Contexto Histórico
O diário de Ruyter não apenas narra batalhas, mas também eventos significativos da época, como a rebelião de Portugal contra a Espanha em 1640. Os documentos recuperados incluem também as atas secretas dos Estados Gerais da República Holandesa, que tratavam de decisões sobre guerras e relações exteriores.
Esse caso se insere em um contexto mais amplo de roubos de arte na Europa, com a Europol relatando atividades semelhantes em vários países. O valor cultural dos itens recuperados é inestimável, refletindo a rica história da região e a importância do patrimônio documental.
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