Quem chegou cedo à Flip 2025 encontrou ruas alagadas em Paraty, com turistas usando caiaques. A maré alta é comum na cidade, mas moradores dizem que a água subiu mais do que o normal. Na última terça-feira, muitas ruas estavam cobertas, e imagens nas redes sociais mostravam pessoas navegando onde antes havia movimento de pedestres e bicicletas. A prefeitura está observando a situação, mas ainda não tem explicações claras para o aumento das águas. Paraty foi projetada para ser parcialmente inundada pela maré, mas nos últimos anos, a água tem avançado mais do que o esperado, atingindo áreas que antes não eram afetadas. Os moradores têm opiniões diferentes sobre a situação, e o tema está sendo estudado pela prefeitura. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA aponta que o nível do mar subiu cerca de 20 centímetros desde 1901, com um aumento acelerado nos últimos anos. Isso é resultado das mudanças climáticas, que afetam cidades como Paraty. A Festa Literária de Paraty, um evento cultural importante, acontece em meio a esse cenário de beleza e risco, levantando questões sobre a preparação da cidade para marés mais intensas e o impacto no cotidiano dos moradores.
Quem chegou mais cedo à Flip 2025 se deparou com uma cena digna de outro evento: ruas alagadas, turistas de caiaque e o centro histórico de Paraty parcialmente submerso. Embora a maré alta seja parte da paisagem planejada da cidade desde o século XVII, moradores afirmam que desta vez a água foi além — tanto geograficamente quanto nos debates públicos.
Na última terça-feira (29), a maioria das ruas do centro estava tomada pela água. Registros nas redes sociais mostravam pessoas navegando por ruas que, dias antes, recebiam caminhadas e bicicletas. A imagem é icônica — e repetida nos últimos dias, embora com menor intensidade. A prefeitura acompanha o fenômeno, mas admite: ainda não há explicações definitivas para o avanço das águas.
**Uma “Veneza brasileira”**
Paraty foi projetada pelos portugueses para ser parcialmente invadida pela maré alta. A intenção era prática: usar o fluxo natural para lavar as ruas coloniais. Mas, nas últimas décadas — e especialmente nos últimos anos — o nível da água tem ido além do previsto. Dessa vez, invadiu ruas que antes ficavam de fora do ritual.
Nos grupos de moradores, as opiniões se dividem: uns garantem que nunca viram a água chegar tão longe; outros dizem lembrar de episódios parecidos. Fato é que o assunto virou tema de estudo na prefeitura.
**Subida do nível do mar reforça alerta: não é só a maré**
A ciência ajuda a montar o quebra-cabeça. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), o nível médio global do mar subiu cerca de 20 centímetros desde 1901 — e o ritmo está acelerando. Só entre 1993 e 2018, o aumento foi de 8,1 cm. Em 2023, foi registrado um novo recorde histórico, 9,4 cm acima da média de 1993.
Esses dados refletem o impacto das mudanças climáticas e do aquecimento global, que provocam o derretimento de calotas polares e a expansão térmica dos oceanos. Paraty, com seu casario à beira-mar e solo histórico, está entre as cidades que mais sentem os efeitos, ainda que seus fundadores não pudessem prever esse cenário.
**Flip entre as águas**
A Festa Literária de Paraty é um dos eventos culturais mais importantes do Brasil. E, nesta edição, chegou acompanhada de um cenário que mistura beleza, risco e incerteza. A água, que já foi parte do charme, agora impõe novos desafios: de infraestrutura, planejamento urbano e adaptação climática.
O alagamento recorrente levanta questões importantes: a cidade está preparada para um futuro de marés mais agressivas? A maré está mesmo mudando, ou é só mais um ciclo? E, mais urgente ainda: o que fazer quando o que era atrativo turístico começa a afetar o cotidiano de quem vive ali?
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