- O Senado aprovou um projeto de lei que autoriza a guarda compartilhada de animais de estimação em casos de separação, ainda sujeito à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor.
- A medida acompanha o reconhecimento dos pets como parte da estrutura afetiva da família, com regras e critérios para o arranjo.
- Especialistas dizem que a divisão da convivência pode impactar emocionalmente animais e tutores, exigindo cuidado para evitar prejuízos à saúde.
- Recomenda-se manter a consistência entre as duas casas, com horários, alimentação, regras e objetos semelhantes, além de uma transição gradual e reforço positivo.
- O sucesso depende de comunicação, acordo entre as partes e ausência de conflitos; é necessário considerar finanças, disponibilidade de tempo e capacidade de cuidado.
O Senado Federal aprovou um projeto de lei que autoriza a guarda compartilhada de animais de estimação em casos de separação. A proposta define regras para esse arranjo e depende da sanção do presidente para vigorar. Trata-se de um passo no reconhecimento dos pets como parte da estrutura familiar.
Especialistas ressaltam que a divisão da convivência pode impactar emocionalmente tanto os animais quanto os tutores. A avaliação aponta que mudanças na rotina e no ambiente exigem planejamento cuidadoso para evitar prejuízos à saúde de todos os envolvidos.
Impactos nos animais
A médica veterinária Vanessa Mesquita explica que os pets criam vínculos fortes com quem está presente, especialmente com rotinas estáveis. O apego costuma ser à pessoa e não apenas ao espaço físico.
O especialista em comportamento Cleber Santos afirma que o vínculo é construído pela frequência de interações: alimentação, passeio e cuidado diário. Por isso, a definição de guarda envolve compreender o que o animal prefere receber em termos de cuidado.
Mudanças na casa afetam cães e gatos de maneira diferente. Vansesa destaca que gatos tendem a ser mais sensíveis a deslocamentos, devido à natureza territorial. A recomendação é manter consistência entre as casas e consolidar horários, alimentação e regras.
Filhotes costumam se adaptar com mais facilidade, enquanto animais idosos demandam cautela. A veterinária adiciona que mudanças bruscas podem impactar comportamento e saúde física nesses casos.
Impactos emocionais nos tutores
Para os adultos, a separação envolvendo o pet pode trazer sofrimento adicional. A psicóloga Juliana Sato observa que a ruptura da convivência com o animal acompanha a terminação da relação, afetando rotina e organização afetiva.
Entre os efeitos, há tristeza persistente, sensação de vazio e dificuldade de reorganizar o cotidiano. O conceito de “luto sobreposto” descreve a soma de perdas simultâneas que complicam o processo.
A guarda compartilhada pode ajudar na adaptação emocional ao evitar uma ruptura abrupta, desde que haja limites claros e foco no bem-estar animal. O pet não deve servir de elo entre ex-parceiros sem necessidade.
A eficácia do modelo depende de comunicação, acordo entre as partes e ausência de conflitos. Instabilidade pode levar o animal a sofrer com necessidades emocionais dos tutores, em vez de cuidados consistentes.
Avaliação e fatores a considerar
O projeto avança no reconhecimento familiar, mas a aplicação prática exige avaliação individualizada. Condições financeiras, disponibilidade de tempo e capacidade de oferecer cuidado adequado são fatores-chave.
Especialistas ressaltam a necessidade de flexibilidade e acompanhamento profissional para adaptar a guarda às características do animal e aos hábitos da família. A decisão final deve priorizar o bem-estar e a saúde do pet.
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