- Médica pediatra afirmou que Henry Borel chegou já morto ao hospital e que a equipe realizou cerca de cinquenta minutos de reanimação sem sucesso.
- Segundo a médica, o menino apresentava ferimentos no tórax, abdômen, punhos e coxas, compatíveis com imagens do elevador do condomínio Cidade Jardim.
- A mãe Monique Medeiros aparentava estar em choque, enquanto o então vereador Jairinho a consolava durante o atendimento.
- O julgamento do caso Henry Borel, no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, continua com o depoimento do médico psiquiatra Rafael Bernadon Ribeiro, previsto para esta quinta-feira.
- No segundo dia de sessão, o delegado Henrique Damasceno afirmou que as primeiras versões dos réus eram “farsa ensaiada” e que 23 lesões eram incompatíveis com acidente doméstico; mensagens do celular da babá indicam alertas sobre agressões anteriores.
A médica pediatra Maria Cristina de Souza, responsável pelo primeiro atendimento a Henry Borel, afirmou no julgamento que o menino chegou já sem vida ao hospital. O depoimento ocorreu no âmbito do Tribunal do Júri do homicídio da criança, em mais uma sessão no Rio de Janeiro.
Segundo a médica, a equipe realizou manobras de ressuscitação por cerca de 50 minutos, com massagem cardíaca, aplicação de adrenalina e intubação, sem sucesso. Ela afirmou que não houve uso de desfibrilador porque os sinais vitais já haviam se perdido. A profissional também disse que a massagem não poderia ter causado hemorragia interna.
A testemunha relatou ferimentos no tórax, abdômen, punhos e coxas de Henry, e que o estado dele no hospital era o mesmo registrado nas imagens do elevador do condomínio Cidade Jardim. Ela mencionou que a mãe, Monique Medeiros, parecia estar em choque, enquanto o então vereador Jairinho a consolava.
Avaliação do andamento do júri
O II Tribunal do Júri da Capital retomou o julgamento de Jairinho e Monique às 11h45 desta quarta-feira, com o depoimento do médico psiquiatra Rafael Bernadon Ribeiro previsto para o início. Os trabalhos do dia devem prosseguir na quinta-feira, com novas oitivas antes do interrogatório.
No dia anterior, a sessão ultrapassou 16 horas e concentrou-se principalmente nas oitivas da acusação. O delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação na época, afirmou que as 23 lesões identificadas em Henry não seriam compatíveis com acidente doméstico alegado pela defesa, segundo ele.
Estrutura do processo e próximas etapas
O julgamento será decidido por um Conselho de Sentença com sete jurados, presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro. A promotoria sustenta que Jairinho cometeu homicídio qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual; Monique Medeiros é julgada por homicídio por omissão qualificada, tortura, falsidade ideológica e fraude processual.
Caso a condenação tenha pena superior a 15 anos, a Justiça pode determinar a prisão imediata dos réus ainda no tribunal. Além do depoimento do psiquiatra, o rito inclui novas oitivas e debates orais finais antes da decisão.
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