- Das dez empresas que mais receberam recursos do Master entre 2022 e 2025, somando 1,2 bilhão, quatro apresentam sinais de empresa de fachada ou dados inconsistentes e cinco têm ligação com a cúpula do banco; Barci de Moraes é a exceção.
- Ouro Negro Empreendimentos e Participações lidera o ranking, com quase 220 milhões recebidos, e tem endereço de sede registrado em São Paulo, porém contatos ligados à firma Zero Burocracia.
- Terra Firme da Bahia LTDA fica em segundo, com quase 186 milhões, e tem ligação com ex-sócio do Master que chegou a usar tornozeleira eletrônica.
- Midias Promotora LTDA aparece em terceiro, com mais de 126 milhões, e tem sócio-administrador que já foi beneficiário de auxílio emergencial.
- Telure Participações S.A e MSG Serviços Empresariais LTDA aparecem em quarto e quinto lugares, com 110,8 milhões e quase 106 milhões, respectivamente; Telure tem Fabia Franca entre os diretores, beneficiária de auxílio.
Das 10 companhias que mais receberam recursos do Master, R$ 1,2 bilhão no total, quatro apresentam sinais de empresa de fachada ou informações inconsistentes no Cadastro da Receita Federal. Outros cinco têm ligações diretas com a cúpula do banco, conforme apuração da Folha a partir de dados do fisco para a CPI do Crime Organizado. A quarta empresa com vínculo é associada à cúpula do banco, e Barci de Moraes aparece como exceção a esses padrões.
Ao longo da lista, também há empresas ligadas ao beneficiário de auxílio emergencial, ou com sócios ocultos, além de casos de SCPs (Sociedade em Conta de Participação) que dificultam a rastreabilidade. A assessoria do Master não se manifestou quando procurada no final de abril.
Ranking das donas dos maiores pagamentos feitos pelo Master entre 2022 e 2025: veja a seguir os casos mais relevantes, com foco em dados públicos, endereços cadastrados, ligações familiares e registros de emprego.
Ouro Negro
A Ouro Negro Empreendimentos e Participações lidera recebimentos, com quase R$ 220 milhões. O diretor é David Lopes Monteiro, irmão de Daniel Lopes Monteiro, advogado ligado à operação Master. No CNPJ, a sede aponta para Avenida Luiz Carlos Berrini, mas o telefone e o e‑mail são da Zero Burocracia, localizada na Sapopemba.
A empresa Zero Burocracia também consta como contato para Ouro Negro nos cadastros. André Cardoso da Silva, sócio-administrador da Zero Burocracia, afirmou não ter ligação com o caso e disse ter sido contratado para serviços paralegais, com dados registrados por erro de funcionária.
A Folha tentou contato com David Monteiro e com a assessoria do irmão em diferentes dias, sem retorno até o fechamento deste texto.
Terra Firme
Terra Firme da Bahia LTDA aparece em segundo lugar, com quase R$ 186 milhões. Augusto Lima, ex-sócio do Master, compõe o quadro societário. Lima já foi preso na operação Compliance Zero e, atualmente, usa tornozeleira eletrônica. Um segundo CNPJ da Terra Firme integra o ranking em décimo lugar.
A assessoria de Lima informou que não comentaria o caso e não confirmou quais serviços foram prestados.
Midias Promotora
Em terceiro lugar, a Midias Promotora LTDA recebeu mais de R$ 126 milhões por serviços prestados. A empresa tem como sócio-administrador Gilson Bahia Vasconcelos, beneficiário do auxílio emergencial e réu em processo por golpe de call center contra aposentados do INSS.
Bahia Vasconcelos também administra a Midias Promotora SCP1, que tem como sócia a própria Midias Promotora. O endereço de Bangu, no Rio, é o mesmo registrado para outra empresa que figura no ranking. Um pedido de diligência da reportagem aponta vínculos com a estrutura investigada.
A defesa de Bahia Vasconcelos afirma que as movimentações são legais e que não houve participação da empresa em irregularidades. A Folha não obteve resposta de outros representantes.
Telure
Telure Participações S.A aparece com R$ 110,8 milhões no ranking. Fabia Franca, beneficiária de auxílio emergencial, atua como diretora. A Folha não conseguiu contato pelo telefone ou pelo e‑mail cadastrados.
MSG
Quase R$ 106 milhões compõem o montante da MSG Serviços Empresariais LTDA. Ex-sócios do banco, Felipe Wallace Simonsen e Armando Miguel Gallo Neto, integram o quadro acionário. Não houve resposta aos contatos da reportagem.
Metanoein
Metanoein Participações e Consultoria LTDA soma R$ 102 milhões. A empresa fica no mesmo endereço da Midias SCP1, em Bangu, e mantém uma SCP de mesmo endereço. A empresa também tem dívida ativa com a União por mais de R$ 9 milhões por impostos não pagos.
A reportagem não obteve resposta das tentativas de contato. A sócia-administradora, a advogada Rose Evelyn Coité, atendeu uma ligação, mas desligou.
MDSV
MDSV Participações LTDA figura com R$ 100 milhões. A empresa está no Bairro Vila Mariana, em São Paulo, e é ligada ao ex-sócio Maurício Quadrado e à esposa Denise. A assessoria de Quadrado afirma que a MDSV atua em assessoria financeira para várias firmas, mas não divulga o montante exato recebido.
Quadrado afirma que os valores são inferiores a R$ 100 milhões e que os serviços foram prestados regularmente. A nota cita atuação em estruturação de operações financeiras, incluindo captação de recursos pelo banco em montante superior a R$ 2 bilhões.
Nanook
Nanook Participações S.A soma R$ 92,8 milhões. Fabia Franca figura como diretora, assim como na Telure. A atividade principal envolve instituições financeiras. Os cadastros indicam endereços diferentes para Nanook e Telure, mas apresentam os mesmos contatos telefônicos e e‑mails usados pela reportagem.
Barci de Moraes
O escritório Barci de Moraes recebeu mais de R$ 80 milhões. A assessoria encaminhou nota descrevendo serviços de consultoria jurídica, com atuação de uma equipe de 15 advogados e apoio de outros três escritórios. A nota cita 94 reuniões, 36 pareceres e comissões de ética, entre outras atividades.
Terra Firme (outro CNPJ)
A décima posição é ocupada por outra Terra Firme da Bahia LTDA, com R$ 73,6 milhões. O CNPJ diferente indica a existência de outra operação sob o mesmo grupo, mantendo ligações com Augusto Lima.
As informações acima refletem dados de cadastros oficiais e reportagens de apuração. A reportagem não conseguiu confirmar todos os contatos com as empresas e pessoas citadas.
Entre na conversa da comunidade