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Emendas de vereadores de SP criam redutos com padrinhos na Câmara

Vereadores de São Paulo destinaram emendas sem regras, gerando distribuição desigual de recursos entre subprefeituras e ampliando distorções regionais

Sem diretrizes, emendas de vereadores de São Paulo favorecem redutos com ‘padrinhos’ na Câmara
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Desde 2021, cada vereador da Câmara Municipal de São Paulo tem até 5 milhões de reais por ano em emendas ao orçamento. Não há regras claras que orientem o destino dessas verbas, ao contrário do que ocorre com deputados federais e estaduais. Dessa forma, a autonomia é total para cada mandato.

As 32 subprefeituras podem receber recursos por meio dessas emendas, já que possuem dotação própria. Entre janeiro de 2021 e abril de 2024, foram empenhados 160,21 milhões de reais para as subprefeituras via indicações parlamentares.

O levantamento aponta distorções entre as regiões. Em alguns casos, as subprefeituras receberam valores muito acima de outras, mesmo quando comparadas proporcionalmente aos seus orçamentos. A Câmara afirma respeitar a autonomia dos mandatos.

Concentração de recursos por região

Entre 2021 e 2024, a subprefeitura do Ipiranga liderou com 13,8 milhões de reais em emendas. Itaquera ficou com 13,7 milhões e Capela do Socorro com 13,5 milhões. A Sé recebeu 110 mil, o menor montante, indicando ampla desigualdade.

A distribuição também varia no número de emendas. Capela do Socorro teve 75 indicações, Itaquera 45 e Santo Amaro 40. A Sé, além de receber pouco, emitiu apenas duas indicações desde 2021.

Impacto no orçamento e comparação com áreas

De 2021 a 2023, as subprefeituras receberam 4,03 bilhões de reais do orçamento municipal. Emendas somaram 156,16 milhões, elevando o orçamento médio dessas regiões em 3,73%. Contudo, metade das subprefeituras ficou abaixo desse índice.

Entre 2021 e 2023, Ipiranga registrou o maior crescimento relativo por emendas, com 10,65%, seguido por Capela do Socorro (9,49%) e Itaquera (9,39%). Já a Sé cresceu apenas 0,04%.

Falta de diretrizes oficiais

Não há norma que estabeleça critérios para as emendas de vereadores, diferentemente das emendas de deputados. A Câmara sustenta que cada gabinete define a política pública de destino, dentro da autonomia de cada mandato. A Prefeitura afirma que as emendas são de livre iniciativa dos vereadores, sem direcionamento do Executivo.

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