A Hacienda Nápoles, antiga propriedade de Pablo Escobar, se tornou um parque temático após sua morte em 1993, atraindo turistas para a região de Magdalena Medio. Recentemente, o presidente Gustavo Petro propôs devolver a terra do parque a agricultores vítimas de violência, gerando protestos locais.
Durante um discurso em Barrancabermeja, Petro afirmou que a propriedade deve retornar aos rurais, destacando que a área, com 1.600 hectares, é de utilidade pública. Ele mencionou que a presença de animais exóticos no parque representa um risco à saúde. A proposta, anunciada em 23 de maio, foi recebida com aplausos, mas gerou resistência entre os moradores de Puerto Triunfo, que temem o impacto econômico sobre o turismo.
Os administradores do parque, que investiram milhões em sua operação, enfrentam incertezas. O diretor da Agência Nacional de Terras, Felipe Harman, indicou que uma revisão para revogar a concessão da terra está em andamento. No entanto, não foram fornecidos detalhes sobre como a transferência será realizada ou como lidarão com os atuais inquilinos.
A oposição à proposta de Petro é clara: o turismo na região depende fortemente do parque, que abriga um zoológico, parque aquático e várias opções de hospedagem. Em 2024, o parque deve receber mais de um milhão de visitantes. A possibilidade de fechamento levou a protestos, como o bloqueio da rodovia Medellín-Bogotá por cerca de 1.500 pessoas.
Dubay Daza, um operador turístico local, criticou a proposta, afirmando que a economia da região foi revitalizada pelo turismo gerado pelo parque. Ele ressaltou que muitos comerciantes, antes vítimas do conflito armado, agora dependem dessa atividade. Petro, por sua vez, questionou a lógica dos protestos, lembrando que a violência da máfia não gerou reações semelhantes.
A Hacienda Nápoles continua a ser um símbolo do legado de Escobar, atraindo turistas interessados em sua história. Apesar dos esforços para dissociar o parque do passado violento, a memória do narcotráfico ainda permeia o debate público no país.
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