As eleições de meio de mandato de 2026 nos Estados Unidos (midterms) mudaram o controle das duas casas do Congresso norte-americano, que passou dos republicanos para os democratas. Realizadas dois anos depois da eleição presidencial, elas renovam todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado.
Com menos apoio no Congresso, o presidente pode ter mais dificuldade para aprovar projetos e precisa negociar com a oposição para avançar sua agenda. Os partidos que passam a controlar a Câmara e o Senado também ganham mais poder para fiscalizar o governo e barrar propostas. A mudança de forças no Legislativo, inclusive, pode alterar a forma como o presidente conduz o restante do mandato.
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O resultado, porém, não significa que o futuro político do republicano Donald Trump esteja determinado. Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca costuma perder espaço na Câmara dos Representantes nas eleições intermediárias.
Derrotas que não impediram a reeleição
Os democratas Bill Clinton e Barack Obama conseguiram se reeleger mesmo depois de enfrentarem derrotas expressivas no Congresso nas eleições de meio de mandato.
Em 1994, durante o governo Clinton, os republicanos conquistaram 54 cadeiras na Câmara e oito no Senado. A vitória, conhecida como “Revolução Republicana”, deu ao partido o controle das duas Casas pela primeira vez em 40 anos. Depois da derrota, Clinton adotou uma postura mais centrista em parte de sua agenda e explorou politicamente os conflitos com a maioria republicana. Dois anos depois, foi reeleito.
Em 2010, Barack Obama enfrentou uma derrota ainda maior na Câmara. Os democratas perderam 63 cadeiras, e os republicanos assumiram o controle da Casa. No Senado, o partido da Casa Branca perdeu seis vagas, mas manteve a maioria. Obama reconheceu o resultado como uma “surra” (shellacking, em inglês). Apesar do revés, foi reeleito em 2012.
Tendência histórica
Levantamento do Brookings Institution aponta que, em 20 das 22 eleições de meio de mandato realizadas entre 1938 e 2022, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara.
As duas exceções ajudam a mostrar como o contexto político pode influenciar o resultado: em 1998, os democratas de Clinton ganharam quatro vagas, em meio à reação pública à iniciativa republicana de abrir um processo de impeachment contra o presidente; em 2002, os republicanos de George W. Bush conquistaram oito, após o aumento da popularidade do presidente depois dos ataques de 11 de Setembro.
Quatro anos depois, no segundo mandato de Bush, o movimento foi inverso: os democratas ganharam 30 vagas na Câmara e seis no Senado, assumindo o controle das duas Casas.
Donald Trump também perdeu a maioria na Câmara em sua primeira eleição intermediária, em 2018. Os republicanos tiveram 41 cadeiras a menos, mas ganharam duas no Senado. Já em 2022, durante a presidência de Joe Biden, os democratas perderam nove cadeiras na Casa e ganharam uma no Senado.
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Câmara e Senado: dinâmicas diferentes
Todos as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes são disputados a cada dois anos. No Senado, os mandatos duram seis anos e as eleições são escalonadas: em geral, cerca de um terço das 100 cadeiras é renovado a cada ciclo.
Veja no gráfico como ficou a Câmara após cada eleição de meio de mandato, de 1994 até a projeção para 2026:

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