O ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, revelou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou um quadro de abatimento emocional significativo após a derrota nas eleições de 2022. Nogueira destacou que a situação do ex-presidente gerou preocupação entre os militares, levando à mobilização dos comandantes das Forças Armadas para oferecer apoio.
Durante o depoimento, Nogueira relatou que, cerca de vinte dias após as eleições, visitou Bolsonaro e percebeu seu estado de depressão e tristeza. O general afirmou que se preocupou com a saúde do ex-presidente e, em resposta, sugeriu que os três comandantes — do Exército, Marinha e Aeronáutica — se revezassem em visitas ao Palácio da Alvorada. A intenção era proporcionar conforto e apoio emocional a Bolsonaro.
Nogueira explicou que, após conversar com o ajudante de ordens de Bolsonaro, foi criada uma escala informal para as visitas. Ele mencionou que, nos primeiros dias, a atmosfera era pesada, como um “velório”, mas que, com o tempo, o ex-presidente começou a melhorar. O depoimento ocorreu em meio a investigações sobre uma suposta organização criminosa ligada ao entorno de Bolsonaro, com o ministro Alexandre de Moraes questionando sobre a convocação dos comandantes e a possibilidade de um decreto de Estado de Sítio.
O general Paulo Sérgio Nogueira é o sétimo réu a depor no inquérito, que investiga tentativas de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. O próximo depoimento aguardado é do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.
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