O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para investigar a compra de alimentos pela Prefeitura de São Paulo destinada à população em situação de rua. A promotora Karyna Mori identificou discrepâncias nos preços dos produtos, como água e sopa, que estavam superfaturados em relação ao mercado.
A investigação foi motivada por uma reportagem do UOL, que revelou que a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania pagava R$ 143 mil por dia ao buffet Prime Alimentação, fornecedor vinculado a um vereador da base do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Por exemplo, cada garrafa de água de meio litro custava R$ 4,11, enquanto o mesmo produto era encontrado em supermercados a partir de R$ 0,77, uma diferença superior a 400%. A sopa pequena era vendida a R$ 11,92, valor superior ao pago pela Prefeitura por marmitas maiores no programa Cozinha Cidadã.
A promotora destacou a falta de justificativas para os preços elevados e a ausência de pesquisa de mercado. O inquérito busca apurar o superfaturamento e a possível desclassificação de concorrentes que apresentaram propostas mais baixas. Em setembro, o MP solicitou informações à Secretaria, que não respondeu. Após reiterar o pedido em abril, a secretaria enviou documentos em maio, levando à abertura do inquérito.
A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, afirmou que a contratação do buffet ocorreu por meio de processo licitatório e que o contrato inclui custos com preparo, transporte e distribuição. A pasta ainda não recebeu notificação oficial do MP sobre a investigação.
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