Autoridades iranianas ampliaram a proibição de passear com cães em vias públicas para pelo menos 20 cidades, incluindo Ilam, Isfahan e Kerman. A medida, que já estava em vigor em Teerã desde 2019, é justificada por preocupações com a saúde pública e segurança. Procuradores afirmam que a presença de cães representa uma ameaça à “paz e ao conforto” da sociedade.
A nova fase da proibição inclui também restrições para dirigir com cães. O procurador de Mashhad, Mohammad Doroudi, declarou que “passear com cães é um claro crime”. As autoridades de Ilam anunciaram que “medidas legais” serão tomadas contra infratores, refletindo uma fiscalização que, segundo o jornal The New York Times, foi “negligente” nos últimos anos.
Apesar das restrições, muitos tutores continuam desafiando a lei, passeando com seus cães em áreas isoladas ou utilizando veículos para evitar a fiscalização. Não há uma legislação federal que proíba a posse de cães, mas as regras locais podem ser aplicadas pela polícia. Desde 2019, tutores já enfrentaram prisões e confisco de animais.
Contexto Cultural e Religioso
A proibição é sustentada por crenças religiosas que consideram os cães impuros no Islã. O líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, já emitiu uma fátua que justifica a proibição, afirmando que a saliva e os pelos dos cães tornam tudo o que tocam impuro. Em 2021, 75 legisladores condenaram a posse de cães como um “problema social destrutivo”.
Críticos da medida argumentam que a polícia deveria priorizar a segurança pública, especialmente diante da escalada do crime no país. Veterinários expressam ceticismo quanto à aplicação rigorosa da lei, enquanto o número de jovens com animais de estimação continua a crescer, desafiando as normas sociais.
Entre na conversa da comunidade