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PF revela que Abin Paralela monitorou bispos críticos a Bolsonaro

Polícia Federal investiga uso indevido de recursos da Abin para monitorar bispos críticos ao governo Bolsonaro. Caso pode impactar relação Estado-Igreja.

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A Polícia Federal (PF) investiga uma estrutura paralela na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que coletou informações sobre 152 bispos da Igreja Católica. Esse levantamento foi solicitado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em resposta a um manifesto assinado pelos religiosos em 2020, que criticava o governo de Jair Bolsonaro.

De acordo com o relatório da PF, o uso de recursos da Abin para monitorar os bispos foi motivado pela carta que denunciava crises de saúde e econômica no Brasil. O documento, divulgado em julho de 2020, afirmava que o país enfrentava um dos períodos mais difíceis de sua história, exacerbado pelas ações do governo. “O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos”, afirmava o manifesto.

Investigação e Revelações

A investigação teve início após reportagens que revelaram a compra de um sistema de espionagem pela Abin, destinado a monitorar alvos específicos. Mensagens apreendidas pela PF indicam que o GSI solicitou a elaboração de perfis detalhados dos bispos signatários do manifesto. O relatório final da investigação foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os bispos que assinaram a carta estavam dom Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, e dom Leonardo Ulrich, cardeal de Manaus. O documento criticava a defesa intransigente dos interesses de uma “economia que mata”, centrada no lucro a qualquer custo, em detrimento do bem-estar social.

A revelação sobre a estrutura paralela na Abin levanta questões sobre a utilização de recursos públicos e a vigilância sobre figuras religiosas que se manifestam contra o governo. A PF continua a apurar os detalhes do caso, que pode ter implicações significativas para a relação entre o Estado e a Igreja.

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