O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que deixou o Brasil para continuar exercendo sua atuação política e não se tornar uma “voz calada”. Em sua primeira transmissão ao vivo nas redes sociais após chegar aos Estados Unidos, nesta sexta-feira (30), o parlamentar explicou os motivos da saída do país, voltou a questionar o resultado da eleição presidencial e acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de perseguição.
Durante a transmissão, Flávio relatou que decidiu viajar com a esposa e as duas filhas após receber uma intimação da Polícia Federal (PF), na saída de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Segundo o senador, Moraes havia determinado a apreensão de seus passaportes e o impedimento de deixar o Brasil.
“Não foi fácil sair do país para continuar pelo menos tendo uma voz ativa”, afirmou. Ele também disse que acredita que seria perseguido caso permanecesse no Brasil e declarou que pretende continuar exercendo sua liderança política do exterior.
Flávio voltou a contestar o resultado das eleições, nas quais foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Sem apresentar provas, afirmou que houve irregularidades na disputa e disse que seu adversário teria descumprido a legislação eleitoral. O senador também declarou que pretende falar sobre o assunto com mais profundidade em outra oportunidade.
A nova contestação ocorre após Flávio ter anunciado que buscaria a anulação do resultado eleitoral. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos, em resultado reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O partido de Flávio, o PL, reconheceu a vitória do atual presidente.
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Na transmissão, Flávio também afirmou que está disposto a disputar novamente a Presidência da República, caso seja necessário. “Eu não estou falando de 2030 não, eu estou falando de antes disso”, declarou, ao mencionar os quase 60 milhões de votos que, segundo ele, recebeu na eleição.
O senador ainda defendeu que seus apoiadores trabalhem pela eleição de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal. Segundo ele, o Congresso Nacional, especialmente o Senado, será o principal espaço de resistência política ao governo Lula.
Ele também criticou a situação econômica do país e afirmou acreditar que o cenário poderá provocar o desgaste do atual governo.
Flávio chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28), acompanhado da família, após deixar o Brasil por uma rota que passou por Argentina e Equador. A viagem ocorreu depois de uma determinação de Moraes para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o território nacional.
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Ambos negam irregularidades. O parlamentar descumpriu o prazo para entregar os documentos, que acabaram cancelados pelas autoridades brasileiras.
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