Na 19ª Bienal de Veneza, a instalação Forest Gens apresenta uma nova visão sobre a Amazônia, desafiando a ideia de uma floresta intocada. Com curadoria do engenheiro-arquiteto Carlo Ratti, a obra utiliza mapas críticos para mostrar a Amazônia como resultado de milênios de engenharia humana.
Os dois painéis de 3 metros de altura revelam uma Amazônia moldada por povos originários que criaram solos férteis e redes de circulação sem destruir a floresta. A instalação, que combina imagens de satélite e dados históricos, foi concebida por Gabriel Kozlowski e destaca a relação entre natureza e cultura.
Os mapas mostram que a floresta nunca esteve isolada, mas sim interligada a infraestruturas que vão de Brasília a Buenos Aires. A instalação revela a presença de cidades de baixa densidade e práticas agrícolas que coexistem com a biodiversidade. A Amazônia, portanto, é um espaço de diálogo entre desenvolvimento e conservação.
A proposta de Forest Gens é fundamental para repensar as políticas de conservação. Ao reconhecer a dimensão antropogênica da Amazônia, abre-se caminho para um novo paradigma que integra produção e preservação. Essa nova narrativa sugere que as cidades amazônicas podem ser centros de inovação e sustentabilidade.
À medida que se aproxima a COP30 em Belém, é essencial que essa visão permeie as discussões sobre mudanças climáticas. A instalação destaca que onde houve ocupação indígena, há potencial para cidades sustentáveis, reforçando a importância de um pacto entre floresta e cidade.
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