Um ano após a maior enchente da história do Rio Grande do Sul, o estado enfrenta novamente inundações. Em 25 de outubro, 146 cidades foram afetadas, resultando em mais de 7 mil desabrigados. No Cais Mauá, o nível do Rio Guaíba atingiu 3 metros, a cota de inundação. Em Porto Alegre, das 14 comportas que deveriam proteger a cidade, sete ainda estão sem reparos. A solução emergencial foi a construção de um dique improvisado com sacos de areia.
A incapacidade do sistema de drenagem é um dos principais problemas, com a manutenção prometida para 2024 ainda não realizada. O prefeito Sebastião Melo afirmou que o risco de inundações estava restrito às ilhas, enquanto comunidades ribeirinhas continuam abandonadas. O padre Rudimar Dal’Asta, da Ilha da Pintada, criticou a falta de ação do governo: “Nada foi feito. Somos nós por nós”.
O governo estadual enfrenta críticas pela não utilização de 770 milhões de reais liberados pelo governo federal. Melo atribui a culpa à burocracia, afirmando que os projetos não avançam sem aprovação e licitação. Na Região Metropolitana, o cenário é semelhante, com casas recém-reformadas sendo inundadas novamente. Apesar de 14 bilhões de reais do Fundo do Plano Rio Grande e 6,5 bilhões do governo federal estarem disponíveis, as obras de drenagem permanecem paradas.
Críticas à Gestão do Governador
O governador Eduardo Leite tem sido criticado por priorizar sua carreira política em detrimento da gestão das crises. Recentemente, ele participou de eventos fora do estado, enquanto a situação das enchentes se agravava. No último dia 16, esteve em Curitiba, onde discutiu temas políticos, ignorando a realidade das inundações em seu estado.
A falta de ação efetiva é evidente, com o deputado estadual Miguel Rossetto, do PT, afirmando que o governo de Leite é marcado pela ausência de gestão pública. Ele destaca que, apesar dos recursos federais, muitos municípios foram obrigados a arcar com os custos de recuperação de infraestrutura. Rossetto critica a falta de um projeto coletivo e a priorização de interesses eleitorais em vez de soluções para a crise humanitária que o estado enfrenta.
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