Daniel Ortega e Rosario Murillo celebraram o 46º aniversário da Revolução Sandinista em Managua, em um evento marcado pela ausência de líderes internacionais e um discurso confuso de Ortega. O presidente, que completou 79 anos, elogiou China e Rússia, enquanto atacava a Europa e defendia a dissolução da ONU.
Durante seu discurso de 81 minutos, Ortega pediu um aumento na vigilância política para “capturar e processar traidores”. A fala, que não abordou a repressão a opositores, expôs um líder que se mostrava lento e hesitante, refletindo sua idade avançada. Ele fez referências históricas vagas, incluindo menções a Napoleão e Simón Bolívar, mas ignorou a crise de imigração que afeta o país.
A repressão política na Nicarágua continua intensa, com 54 pessoas atualmente presas por motivos políticos. Desde 2023, a polícia implementou uma nova estrutura de vigilância nos bairros, em colaboração com os Conselhos de Poder Cidadão, visando garantir a “paz”. Ortega reafirmou a necessidade de manter essa vigilância, que remete aos tempos do primeiro governo sandinista nos anos 1980.
Além disso, o presidente fez uma alusão a políticas de imigração dos EUA, mencionando a separação de famílias, mas não citou diretamente o ex-presidente Donald Trump. A omissão contrasta com suas críticas a países europeus, que acusou de racismo e colonialismo. O Departamento de Estado dos EUA afirmou que não existe um acordo formal com o regime de Ortega para aceitar deportações, ressaltando a responsabilidade do governo nicaraguense em receber seus cidadãos deportados.
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