Rashid Khalidi, professor emérito de estudos árabes modernos na Universidade Columbia, cancelou seu curso programado para este semestre em protesto contra um acordo de US$ 200 milhões firmado entre a universidade e o governo Trump. A decisão foi anunciada em uma carta aberta publicada no jornal *The Guardian*, onde Khalidi critica as restrições à liberdade acadêmica impostas pelo pacto.
O acordo, que visa a retomada de bilhões de dólares em repasses federais, exige que Columbia revise currículos e limite críticas a Israel. Khalidi, que lecionou por mais de 50 anos, afirma que as novas condições tornam impossível a realização de seu curso. Ele descreve a situação como uma capitulação da universidade, transformando-a em um “lugar de medo e aversão”.
Críticas ao Acordo
O professor destaca que a adoção da definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) é problemática. Segundo ele, essa definição confunde críticas a Israel com hostilidade ao judaísmo, dificultando discussões honestas sobre a história do Oriente Médio. Khalidi menciona que Kenneth Stern, coautor da definição, já repudiou seu uso atual, afirmando que “nem todo antissionista é antissemita”.
Além disso, Khalidi expressa preocupação com o impacto do acordo sobre a liberdade acadêmica de alunos e assistentes de ensino, que enfrentam processos disciplinares por críticas ao governo israelense. Ele compara essa vigilância a “tribunais arbitrários”, ressaltando que a repressão à crítica a Israel se intensificará sob as novas diretrizes.
Alternativas e Impacto
Para compensar a suspensão do curso, Khalidi planeja oferecer uma série de palestras públicas em Nova York, com transmissão online, com o objetivo de arrecadar fundos para universidades em Gaza afetadas por bombardeios. Ele lamenta a perda da oportunidade para cerca de 300 alunos que se inscreveram no curso, enfatizando a importância da liberdade acadêmica em um ambiente educacional saudável.
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