Neuza de Fátima Santos, uma pecuarista de Goiás, teve seu pedido de aposentadoria rural por invalidez negado inicialmente pelo INSS, que alegou que ela não comprovava a pobreza exigida para o benefício. Após recorrer à Justiça, Santos conseguiu a aposentadoria em 2019, mas seu caso se tornou parte de uma investigação mais ampla sobre fraudes em aposentadorias na Vara de Caiapônia.
A Polícia Federal investiga irregularidades em pelo menos 43 processos judiciais na comarca, que envolvem advogados, médicos e servidores públicos. As fraudes incluem o uso de documentos falsos e a participação de testemunhas em múltiplos processos. A Vara de Caiapônia, que atende uma população de 26 mil pessoas, registrou cerca de 4 mil novos processos por ano entre 2015 e 2019, um número alarmante em comparação com outras comarcas do estado.
Entre os advogados envolvidos, Fernando Destácio Buono e seu sócio, Gilson Garcia de Paula, são os principais alvos da investigação. Buono, que já enfrentou problemas legais anteriormente, teve sua conduta questionada após o juiz Ronny André Wachtel identificar anomalias nos processos. A análise revelou que laudos médicos eram frequentemente emitidos por um grupo restrito de peritos, que concediam benefícios em 90% das avaliações.
Além disso, a investigação aponta para um enriquecimento inexplicável de Buono e sua esposa, com transações financeiras que levantaram suspeitas. O INSS estima um prejuízo de 1 milhão de reais devido a essas decisões judiciais. Apesar das evidências, a Polícia Federal não realizou mandados de busca e apreensão, e a juíza que conduziu os processos, Gabriela Maria de Oliveira Franco, não foi investigada.
A situação levanta questões sobre a integridade do sistema previdenciário e a necessidade de uma revisão rigorosa dos processos na Vara de Caiapônia.
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