O governo de Israel aprovou um plano que prevê o deslocamento forçado de milhares de palestinos da Cidade de Gaza até 7 de outubro, data que marca dois anos do início do conflito com o Hamas. A proposta foi aprovada pelo gabinete de segurança na sexta-feira (8), apesar das críticas internas e internacionais. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu defendeu a necessidade de controle total da Faixa de Gaza.
O plano será implementado em etapas, começando pela retirada dos moradores da Cidade de Gaza, onde cerca de 1 milhão de pessoas residem atualmente. As autoridades israelenses pretendem transferir esses civis para campos de refugiados, mas não informaram quais locais serão utilizados. A operação visa restringir ainda mais o espaço disponível para a população de Gaza, que conta com aproximadamente 2 milhões de habitantes.
Reações Internacionais
A proposta gerou reações contundentes ao redor do mundo. O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, anunciou a suspensão da exportação de equipamentos militares para Israel, enfatizando que a libertação dos reféns israelenses e um cessar-fogo são prioridades para Berlim. O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir o plano, com o secretário-geral António Guterres expressando preocupação com o que considera uma “escalada perigosa” que pode agravar a situação humanitária em Gaza.
Além do deslocamento, o gabinete israelense também apresentou cinco exigências para o fim da guerra com o Hamas. Entre elas estão o desarmamento da facção, o retorno de todos os 50 reféns ainda em cativeiro, a desmilitarização de Gaza e a criação de um governo civil alternativo sem a participação do Hamas ou da Autoridade Palestina. Atualmente, Israel controla cerca de 75% da Faixa de Gaza, e a operação pode impactar diretamente a vida dos reféns mantidos em cativeiro.
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