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Sanções econômicas causam mais de 560 mil mortes anuais, revela pesquisa

Estudo revela que sanções econômicas causam 564 mil mortes anuais, com impacto severo na saúde infantil e necessidade urgente de revisão das políticas

Criança brinca com pneu de motocicleta em frente a sua casa no bairro rural de Tocorón, no estado de Miranda (Foto: Jesus Vargas/VEJA)
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Sanções econômicas internacionais, especialmente as impostas pelos Estados Unidos, têm gerado consequências devastadoras, com um estudo recente apontando para 564 mil mortes adicionais anuais associadas a essas medidas. A pesquisa, publicada na *The Lancet Global Health*, analisou dados de 152 países entre 1971 e 2021, revelando um aumento significativo na mortalidade, especialmente entre crianças menores de cinco anos.

Os autores do estudo, Francisco Rodríguez, Silvio Rendón e Mark Weisbrot, destacam que as sanções unilaterais têm um impacto muito mais severo do que aquelas aplicadas sob a égide da ONU. Na última década, o número de mortes atribuídas a sanções se aproxima do total de óbitos civis e militares em conflitos armados no mesmo período. O aumento da mortalidade infantil é alarmante, com uma média de 8,4 pontos logarítmicos, enquanto adultos entre 60 e 80 anos apresentam um aumento de 2,4 pontos.

Impactos Diretos das Sanções

Além do aumento da mortalidade, as sanções têm contribuído para a deterioração das condições de saúde pública. Os pesquisadores observam que não há evidências de que as sanções da ONU tenham gerado efeitos estatisticamente relevantes. Exemplos concretos incluem o Irã, onde o bloqueio à importação de medicamentos após as sanções de 2018 dificultou o tratamento de pacientes com talassemia, resultando em um aumento significativo de mortes.

Em países como Venezuela e Síria, organizações humanitárias relataram restrições bancárias que dificultaram a recepção de doações, mesmo em situações de emergência, como o terremoto sírio de 2023. Os autores do estudo concluem que, embora as sanções sejam apresentadas como alternativas pacíficas a conflitos armados, na prática, funcionam como um “instrumento econômico de destruição em massa”, com efeitos comparáveis aos da guerra.

Necessidade de Revisão

Diante desses dados alarmantes, os pesquisadores defendem uma revisão urgente do uso e do desenho das sanções econômicas. A análise sugere que é necessário repensar essa estratégia, que, em vez de promover a paz, tem contribuído para um aumento significativo da mortalidade e do sofrimento humano.

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