O encontro entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, agendado para 13 de agosto, foi cancelado após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão ocorreu em meio a tentativas de Eduardo Bolsonaro de influenciar autoridades americanas sobre a situação de seu pai.
O pedido para a reunião foi feito por Lula em 21 de julho e, após várias confirmações, o encontro foi formalizado em 4 de agosto. No entanto, apenas quinze horas após a confirmação, o cancelamento foi comunicado. Haddad atribuiu a interrupção à ação da “extrema-direita”, que, segundo fontes, teria pressionado Bessent a desistir do encontro.
A situação se agravou com a entrevista de Eduardo Bolsonaro, na qual ele afirmou ter informado a Casa Branca sobre a prisão do pai, esperando uma reação das autoridades americanas. O cancelamento do encontro ocorreu logo após a publicação da entrevista, levantando suspeitas sobre a influência do bolsonarismo nas relações Brasil-EUA.
Influência do Bolsonarismo
Eduardo Bolsonaro possui contatos diretos com membros do governo americano, incluindo Jason Miller e Sebastian Gorka, figuras ligadas à direita conservadora. Esses laços têm sido utilizados para obstruir as tentativas do governo Lula de estreitar relações com os EUA, criando um cenário de tensão diplomática.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também se manifestou, criticando Lula por não contatar Trump e reforçando a narrativa de que a política externa do governo atual é responsável por dificuldades nas relações bilaterais. Essa estratégia busca inverter a responsabilidade sobre as tensões comerciais e diplomáticas entre os países.
A situação revela um embate político interno que pode impactar a capacidade do governo Lula de estabelecer um diálogo eficaz com os EUA, enquanto o bolsonarismo tenta capitalizar sobre a crise para fortalecer sua narrativa.
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