A pandemia de Covid-19, que começou em 2019, trouxe à tona a resposta fiscal de diversos países, especialmente nas democracias industrializadas. A pesquisadora Angie Jo, que iniciou seus estudos de doutorado em ciência política no mesmo ano, analisa como diferentes regimes de bem-estar social reagem a crises.
Jo observa que países com regimes de bem-estar liberal, como os Estados Unidos, apresentaram respostas emergenciais significativas durante a pandemia, apesar de historicamente oferecerem pouco suporte social. Ela destaca que, em tempos normais, a assistência governamental é vista como um último recurso, mas, diante da crise, esses países mobilizaram recursos sem precedentes, como cheques de estímulo e ampliação do seguro-desemprego.
Em contraste, países com regimes sociais democráticos, como os da Escandinávia, já contavam com uma infraestrutura robusta de políticas sociais, permitindo respostas mais eficazes e rápidas. Jo argumenta que a falta de investimento em redes de segurança social em tempos normais resulta em respostas ineficazes durante crises, criando um ciclo de soluções temporárias.
A pesquisa de Jo também investiga se crises podem ser oportunidades para reformas institucionais. Ela analisa o impacto da crise financeira de 2008 nos Estados Unidos, questionando por que muitos estados não utilizaram adequadamente os recursos federais disponíveis para ajudar os proprietários em dificuldades. A escolha entre soluções temporárias e reformas profundas é um tema central em seu trabalho.
Jo enfatiza que a compreensão das respostas dos estados de bem-estar social a crises é crucial, pois as consequências para os mais vulneráveis são devastadoras. Ela alerta que, com a frequência crescente de crises, como pandemias e desastres climáticos, é essencial repensar a forma como os sistemas de bem-estar social operam.
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