A violência no Rio Grande do Sul tem raízes profundas no sistema prisional, onde facções locais como a Falange Gaúcha e os Manos emergiram. Desde 2016, a rivalidade entre “os Bala” e “os Anti-Bala” intensificou a criminalidade em Porto Alegre, colocando a cidade entre as mais violentas do mundo.
Em janeiro de 2016, um crime brutal chocou o bairro Bom Jesus, onde uma cabeça foi encontrada em uma caixa de papelão, acompanhada da mensagem “Bala nos Bala”. O repórter Renato Dornelles, que acompanhava a situação, notou o silêncio incomum na comunidade, que estava ciente da iminente violência entre as facções. A guerra entre “os Bala”, ligados ao tráfico local, e “os Anti-Bala” resultou em um aumento alarmante de homicídios.
Embora o Rio Grande do Sul não tenha uma presença consolidada de facções nacionais como o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou o Comando Vermelho (CV), a socióloga Marcelli Cipriani observa que esses grupos influenciam o tráfico de drogas na região. Desde 2017, facções locais começaram a se alinhar com organizações nacionais, criando um fenômeno conhecido como “fechamento”. Esse alinhamento é impulsionado pelo controle do PCC sobre o mercado de drogas no Paraguai, de onde provém a maior parte dos entorpecentes que chegam ao estado.
Historicamente, as facções gaúchas surgiram em presídios, com a Falange Gaúcha sendo uma das primeiras, seguida pelos Manos. Esses grupos, que operam há mais de 40 anos, têm um controle territorial que dificulta a atuação de facções externas. O sistema prisional do estado, marcado por superlotação e condições precárias, contribui para a perpetuação da violência.
A situação atual reflete um ciclo de criminalidade que, embora não tenha raízes em facções nacionais, é igualmente violento. A dinâmica do crime no Rio Grande do Sul é complexa, envolvendo tanto grupos locais quanto a influência de organizações maiores, que, mesmo sem presença física, moldam o cenário do tráfico e da violência.
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