A reforma judicial no México, promovida por Andrés Manuel López Obrador e seu partido Morena, trouxe mudanças significativas na designação de juízes, agora escolhidos por voto popular. Recentemente, 881 juízes federais eleitos tomaram posse, e a Suprema Corte passou a contar com nove juristas alinhados ao governo, levantando preocupações sobre a independência do Judiciário.
A nova estrutura judicial é inédita, tornando o México o único país que elege todos os juízes por sufrágio. A presidente de Morena, Claudia Sheinbaum, defende que essa mudança democratiza o Poder Judicial, afirmando que agora ele está a serviço dos interesses populares. No entanto, críticos apontam que a relação entre o Judiciário e o Executivo pode comprometer a autonomia da Justiça.
Durante a cerimônia de posse, Sheinbaum participou de um evento simbólico no Zócalo de Cidade do México, onde os novos juízes participaram de uma cerimônia de purificação. Hugo Aguilar, novo presidente da Suprema Corte, destacou a importância do diálogo respeitoso entre os poderes, prometendo uma gestão pautada pela austeridade e pela independência.
Entretanto, a reforma judicial não foi isenta de controvérsias. A pressa na realização das eleições e a laxidão nos requisitos para juízes levantaram dúvidas sobre a capacidade dos novos magistrados. A escolha dos juízes foi influenciada por uma operação eleitoral massiva de Morena, que orientou o voto popular em favor de candidatos específicos.
Com a saída de López Obrador, a responsabilidade pela implementação dessa nova estrutura judicial recai sobre Sheinbaum, que agora enfrenta o desafio de consolidar um modelo de justiça sem precedentes. A reforma representa uma ruptura significativa entre os poderes, e seu impacto na política mexicana ainda está por ser totalmente avaliado.
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