A situação em Gaza se agrava, com o chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, alertando que o território está se tornando um “cemitério do direito humanitário internacional”. Em entrevista ao jornal espanhol El País, Lazzarini criticou a inação da comunidade internacional e a crescente crise humanitária que afeta a população local.
A fome em Gaza, segundo Lazzarini, não é resultado de fatores naturais, mas sim de ações humanas. Ele destacou que o número de crianças com desnutrição aguda aumentou seis vezes nos últimos seis meses. A UNRWA teme que a fome se espalhe por toda a Faixa de Gaza, não se restringindo apenas à cidade de Gaza.
Lazzarini também denunciou a morte de mais de 1,5 mil pessoas que buscavam ajuda alimentar em centros de distribuição. Ele criticou a falta de resposta da comunidade internacional e apontou que a Cisjordânia enfrenta níveis alarmantes de violência e deslocamento forçado, que têm sido ofuscados pela crise em Gaza.
A desinformação tem impactado severamente as doações à UNRWA. Após alegações de que elementos do Hamas teriam se infiltrado na agência, 16 países suspenderam temporariamente suas contribuições. Lazzarini afirmou que o desmantelamento da UNRWA é um objetivo de guerra para alguns políticos israelenses, que buscam minar o direito de retorno dos refugiados palestinos.
Apesar dos cortes, alguns países, como Espanha, Luxemburgo e Portugal, aumentaram suas contribuições, mas isso não foi suficiente para compensar as perdas. Lazzarini concluiu que a impunidade prevalece em Gaza, tornando as Convenções de Genebra quase irrelevantes e criando uma sensação de que o direito internacional humanitário não é universal.
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