Uma operação da Polícia Federal revelou um esquema de lavagem de dinheiro do PCC que movimentou R$ 140 bilhões nos últimos cinco anos. A ação, considerada uma das maiores contra o crime organizado no Brasil, resultou na prisão de seis pessoas, incluindo empresários e membros da facção.
O esquema envolvia 1.200 postos de combustível, 42 fundos de investimento e diversas fintechs. A investigação, que mobilizou 1.400 agentes em oito estados, expôs a conexão entre o crime organizado e o mercado financeiro, com 42 alvos localizados na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.
Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de Primo, lideravam a operação. A fintech BK Instituição de Pagamento foi identificada como o núcleo do esquema, movimentando R$ 46 bilhões. Através de contas-bolsão, a BK facilitava a entrada de dinheiro ilícito no sistema financeiro.
A lavagem de dinheiro ocorria em etapas, começando com depósitos fracionados em contas de postos de combustível e fintechs. O PCC utilizava métodos como adulteração de combustíveis para justificar a entrada de dinheiro. O dinheiro, então, era transferido para fundos de investimento, onde se disfarçava a origem ilícita.
Os fundos, administrados pela Reag Investimentos, do empresário João Carlos Falbo Mansur, adquiriram usinas sucroalcooleiras, muitas delas em dificuldades financeiras. O esquema permitia que o PCC reinvestisse os lucros do tráfico de drogas, perpetuando o ciclo de lavagem.
A operação da PF também revelou que a quadrilha superfaturava a compra de cana-de-açúcar, disfarçando o dinheiro ilegal como receita legítima. Entre os foragidos estão Beto Louco e Mourad, enquanto oito pessoas ainda estão foragidas. A investigação continua, com a expectativa de desmantelar completamente a rede criminosa.
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