O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quinta-feira (10), a abertura de informações relacionadas às investigações envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, eventuais suspeitas de irregularidades devem ser apuradas e a sociedade precisa ter acesso aos fatos.
Lula criticou o que chamou de vazamentos seletivos de informações, que, segundo ele, podem ter viés político e prejudicar a credibilidade da Corte. “Não se pode mentir sobre as pessoas, não se pode usar indevidamente informações que são sigilosas de um juiz”, afirmou, durante entrevista ao SBT Brasil, do SBT.
O presidente também elogiou a atuação do presidente do Supremo, Edson Fachin. Na quarta-feira (9), o ministro suspendeu decisões de André Mendonça e Flávio Dino relacionadas à Polícia Federal. Segundo Lula, Fachin “vai ter que colocar ordem na casa” e começou a reorganizar a instituição.
“Eu estou satisfeito que o Fachin colocou ordem na casa. Ainda falta, falta apurar quem é culpado de verdade”, disse Lula. “Fachin tomou atitude correta, não terminou de tomar as atitudes, espero que faça mais coisa para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte”, completou.
Lula disse ainda que conversou com Fachin e defendeu a abertura dos sigilos relacionados ao caso. “Tem que colocar todo mundo nu diante da sociedade brasileira”, declarou. Para o presidente, se alguém tiver cometido algum erro, deverá responder por isso.
Questionado se o ministro Alexandre de Moraes deveria ser investigado, Lula declarou que qualquer pessoa sobre a qual exista suspeita de equívoco deve ser submetida à apuração.
“Todo mundo tem que ser investigado: do presidente da Suprema Corte ao presidente da República, do mais simples catador de papel deste Brasil ao mais rico empresário. Todos que estiverem sob suspeita de ter cometido qualquer equívoco têm que ser investigados. Senão, a gente não passa credibilidade ao Poder Judiciário”, afirmou.
O presidente disse ser favorável à divulgação das informações e disse que é necessário conhecer a qualidade dos dados produzidos pela investigação. “A gente não sabe a qualidade da informação da Polícia Federal. Então é muito melhor que abra tudo”, declarou.
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Lula sai em defesa de Andrei Rodrigues
Na terça-feira (8), o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em seguida, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, a suspensão imediata da decisão.
Lula defendeu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao ser questionado sobre a atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias, no caso.
Segundo Lula, Messias agiu corretamente e sob sua orientação. O presidente também negou proximidade entre o advogado-geral da União e o ministro André Mendonça, do STF.
“Andrei é da minha total confiança. É um companheiro perito como poucos delegados na história desse país. E, se ele cometeu um erro, que seja julgado”, disse, ao sair em defesa do delegado.
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Caso Banco Master e encontro com Vorcaro
Lula também foi questionado sobre os possíveis impactos da crise envolvendo o Banco Master e o STF. Segundo ele, há pessoas “até os dentes” comprometidas com a instituição financeira e cabe à Polícia Federal esclarecer os fatos e investigar eventuais irregularidades.
“O que não pode é um juiz ficar vazando coisa que interessa para ele”, ponderou.
Lula também lembrou que o Banco Master foi criado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e negou que a crise institucional provocada pelo caso esteja afetando seu governo.
Sobre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master que está preso, Lula pontuou que o recebeu em uma reunião que durou menos de meia hora. Segundo o presidente, Vorcaro procurou o governo para dizer que estava sendo perseguido. O presidente afirmou ainda que aquele foi o único encontro que teve com o ex-banqueiro.
“Daniel Vorcaro veio conversar comigo no Palácio do Planalto. Ele e outro rapaz disseram que estavam perseguindo o banco dele. Eu disse que o Banco Master seria analisado como qualquer banco.”
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Propostas e eleição
Durante a entrevista, Lula também falou sobre uma possível reforma do Judiciário caso seja reeleito. O presidente disse que pretende estabelecer critérios para mudanças no sistema e disse esperar discutir, inclusive, questões relacionadas ao tempo de mandato de ministros do STF.
Segundo Lula, as mudanças ainda não estão definidas porque ele pretende ouvir a sociedade antes de apresentar propostas. O petista reiterou que a educação segue como uma de suas prioridades caso seja reeleito.
Questionado sobre os resultados das pesquisas eleitorais, Lula afirmou que não se abala com os levantamentos. “Pesquisa não me abala. A pesquisa é um reflexo para a gente poder saber o que fazer dali para frente. E, como tem muita pesquisa, você tem que saber qual é a que você avalia, porque tem uma fábrica de pesquisas nesse mundo. Se eu for ficar em cima de pesquisa, analisando, eu morro. Não vou fazer campanha”, completou.
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