Os principais grupos agrícolas da França solicitaram ao governo que impeça a ratificação do acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul. A alegação é que as cláusulas de salvaguarda do pacto são insuficientes para proteger os produtores locais de importações mais baratas.
Em um comunicado, associações que representam setores como carne, aves, beterraba, açúcar, bioetanol e grãos expressaram preocupação com o impacto do acordo. Os agricultores pedem que Paris se recuse a assinar o pacto e busque apoio de outros países da UE para barrar sua aprovação.
A Comissão Europeia divulgou recentemente o texto final do acordo, que inclui um mecanismo de proteção aos produtores rurais europeus. No entanto, os sindicatos rurais franceses consideram essas cláusulas como uma “cortina de fumaça”, alegando que são lentas e complexas para serem ativadas, não oferecendo proteção efetiva.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, reconheceu a importância das cláusulas, mas afirmou que mais medidas são necessárias para garantir a segurança dos agricultores franceses e europeus. Os protestos dos sindicatos rurais, que já bloquearam cidades no passado, podem intensificar a instabilidade política na França, que enfrenta greves trabalhistas iminentes.
A busca da União Europeia por diversificação em suas relações comerciais, especialmente em um cenário de crescente protecionismo dos Estados Unidos, pode ser afetada por essa pressão interna. A situação atual destaca a tensão entre a necessidade de acordos comerciais e a proteção dos interesses locais.
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