O ex-presidente Jair Bolsonaro e membros de seu governo, como Augusto Heleno e Alexandre Ramagem, estão sob investigação por tentativas de golpe de Estado e deslegitimação do processo eleitoral. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, destacou anotações golpistas encontradas com Heleno e documentos de Ramagem que sugerem ações contra a Justiça Eleitoral.
Durante o julgamento da chamada Trama Golpista, Moraes afirmou que não é normal um general e integrante do governo ter anotações golpistas em sua agenda. Ele se referia a registros encontrados com Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional. O ministro também contestou a defesa de Heleno, que alegou que o caderno apreendido era apenas um “suporte de memória”, afirmando que as anotações se alinham a práticas antidemocráticas.
Além disso, Moraes mencionou documentos de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, que continham sugestões para insuflar as Forças Armadas contra a Justiça Eleitoral. O arquivo, intitulado “Bom Dia, Presidente”, trazia propostas que indicam um plano de ruptura institucional. O ministro lembrou ainda de declarações públicas de Bolsonaro, que atacavam ministros do STF, e ressaltou o risco de envolvimento militar em ações golpistas.
Moraes enfatizou que, historicamente, quando as Forças Armadas atenderam a grupos políticos, o Brasil enfrentou golpes e estados de exceção. Ele afirmou que Bolsonaro deu continuidade a uma estratégia golpista, visando obstruir o funcionamento da Justiça Eleitoral e garantir a permanência de seu grupo no poder, independentemente dos resultados eleitorais. O julgamento envolve Bolsonaro, Ramagem, Heleno e outros seis militares ou ex-integrantes do governo, todos acusados de tentativa de golpe de Estado.
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