Javier Milei, presidente da Argentina, enfrenta uma crise política e econômica após a derrota de seu partido nas eleições provinciais de Buenos Aires, realizadas no último domingo, 8 de outubro. O peronismo, liderado por Axel Kicillof, obteve 47% dos votos, enquanto a aliança de Milei, A Liberdade Avança, alcançou apenas 33,8%. Este resultado provocou uma queda de 7% no valor do peso argentino na manhã seguinte.
A vitória do peronismo em Buenos Aires, um bastião histórico do partido, foi um golpe significativo para Milei, que reconheceu a derrota como um “claro revés eleitoral”. O peronismo aumentou sua representação no Congresso provincial, passando de 37 para 39 assentos. A situação é interpretada como um plebiscito sobre o governo Milei, que se distanciou das pautas locais.
Impacto nos Mercados
Os mercados reagiram negativamente à derrota de Milei. Os títulos argentinos despencaram até 10% nas negociações de segunda-feira, e o risco-país disparou para mais de 1.100 pontos-base. A ascensão de Kicillof, ex-ministro da Economia, é vista como um retorno ao intervencionismo, o que gera preocupação entre investidores. Kicillof é lembrado por sua postura de controle sobre a economia e por ter dado calote na dívida soberana durante sua gestão anterior.
A prisão domiciliar de Cristina Kirchner e sua proibição de exercer cargos públicos criam um espaço para Kicillof liderar o movimento peronista, que se fragmentou nos últimos anos. Economistas do JPMorgan alertam que a ascensão de Kicillof sinaliza uma “escalada mais difícil” para o governo Milei, especialmente com as eleições legislativas se aproximando.
Desafios Futuros
Milei, que busca aprovar reformas estruturais no Congresso, agora enfrenta um cenário complicado. A votação nacional marcada para 26 de outubro será crucial para definir a representação de seu partido. A derrota em Buenos Aires pode ter um efeito dominó em outras províncias, onde a insatisfação popular é crescente.
A situação política permanece tensa, com Milei convocando reuniões de emergência para reavaliar sua estratégia. O governo precisa recuperar o acesso aos mercados globais para cobrir mais de US$ 4 bilhões em passivos que vencem em janeiro. A vitória do peronismo não garante um retorno definitivo ao poder, mas complica ainda mais a trajetória do governo Milei.
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