Numa cadeira de rodas e com o pé direito enfaixado, Valério Júnior, entregador baleado pelo policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini, esteve no Instituto Médico-Legal (IML) no Centro do Rio de Janeiro. O incidente ocorreu em 29 de agosto, durante uma discussão em Jacarepaguá. Valério foi ao IML para protocolar exames e laudos que serão anexados ao inquérito da 32ª DP (Taquara).
O entregador, que gravou o momento em que foi atingido, ainda possui a bala alojada em seu corpo. Ele relatou que os médicos indicaram a necessidade de aguardar a cicatrização antes de considerar uma cirurgia. Valério expressou preocupação com a proximidade de sua residência em relação à de Ferrarini, que mora a apenas cinco metros de distância. Ele afirmou que essa situação o deixa apreensivo.
Além do tratamento físico, Valério está recebendo suporte psicológico oferecido pelo iFood. Ele destacou que começará a terapia para lidar com as consequências emocionais do ataque. Sobre a prisão temporária de Ferrarini, que durará 30 dias, Valério afirmou que isso trouxe um certo conforto, mas ainda teme pela possibilidade de impunidade. “Ele tem que pagar, não pode ficar impune”, disse.
O ataque ocorreu após Valério se recusar a subir até o apartamento de Ferrarini para entregar um pedido. O policial, contrariado, foi até o entregador e disparou enquanto a cena era gravada. Após o disparo, Valério pediu socorro aos porteiros do condomínio. Ferrarini alegou que o disparo foi acidental e foi liberado inicialmente, mas acabou indiciado por tentativa de homicídio qualificado. A Justiça expediu um mandado de prisão temporária e a Secretaria de Administração Penitenciária afastou o policial por 90 dias, classificando sua conduta como “abominante”.
Entre na conversa da comunidade